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A meta de levar água de qualidade para pequenas comunidades rurais, distantes de áreas urbanas, está sendo expandida pelo Instituto das Águas do Paraná, autarquia da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Cerca de 19 mil pessoas já foram beneficiadas com a perfuração de 160 poços artesianos em pequenas comunidades do Estado. A meta é entregar, até o final de 2014, mil sistemas de abastecimento de água.

“Além de atender a milhares de famílias, o sistema de abastecimento beneficia pequenos produtores rurais, pois o excedente de água pode ser utilizado para dar de beber aos animais, irrigar as plantações, limpar equipamentos de ordenha”, explica o presidente do Instituto das Águas do Paraná, Márcio Nunes.

O sistema de abastecimento de água compreende a perfuração do poço artesiano, instalação da rede elétrica, da bomba submersa, da rede adutora, do reservatório e da bomba dosadora de cloro. A obra é feita pelo Governo do Estado e, em contrapartida, a prefeitura faz a distribuição da água aos moradores.

O programa teve início em 2012, como resposta do Governo do Estado às necessidades evidenciadas pela intensa estiagem entre 2010 e 2011, que causou prejuízo e sofrimento às famílias das comunidades rurais. “O episódio da seca reforçou a demanda das comunidades por sistemas de abastecimento”, contou Nunes.

Qualidade de vida
 
O casal Valdomiro e Brasília Camargo, moradores da comunidade rural Linha Alto Alegre, de Barracão, no Sudoeste do Paraná, sofreu 25 anos com falta de água. Assim como as outras 54 famílias da comunidade, eles eram obrigados a buscar o produto na comunidade vizinha ou usar a água acumulada das chuvas e enxurradas.

Essa realidade acabou no início deste ano, quando o Governo do Estado implantou na comunidade um sistema de abastecimento de água. Agora, a propriedade dos Camargo conta com uma caixa sempre cheia de água limpa, tratada, potável.

“Antes, em tempo de estiagem, muita gente ficava sem água até para beber. Agora temos à vontade, estamos faceiros”, brinca Brasília, que é aposentada e tem 62 anos. Ela conta que eles usavam para a higiene pessoal, limpeza da casa e até para beber a mesma água dada aos animais e usada na lavoura. “Até dava dor de estômago tomar aquela água”, conta Valdomiro, de 59 anos.

O programa está aproveitando o potencial dos aquíferos subterrâneos existentes no Paraná para melhorar a qualidade da vida dos paranaenses. Na pequena propriedade de Lírio Angonese (67) é possível adquirir um dos melhores queijos caseiros do Sul do Paraná. É o que dizem seus vizinhos da comunidade de Linha São Paulo, em Bom Jesus do Sul.

Aposentado, o agricultor trocou a sericicultura pela produção de queijo, trabalhando agora junto com a mulher, Sunta Angonese (65). A atividade iniciou há poucos meses, desde que foi instalado na comunidade o novo sistema de abastecimento de água. A produção de queijo lhe garante uma renda extra para ajudar nas despesas caseiras. “Sem a água não se vive. E essa é uma água de muito boa qualidade, dá para fazer queijo bom”, diz Lirio.

A residência dos Angonese fica a cinco minutos da casa de Hermínio Schineider (66), ponto de referência na comunidade sempre que a seca assolava a região. Schineider, que mora há 36 anos na Linha São Paulo, distribuía água de sua propriedade para os demais moradores.

“Nunca sofremos com a seca porque temos uma vertente. Mas hoje até a gente pega água da rua que é mais pura”, explicou, ressaltando que a fonte artificial de sua propriedade é de fácil contaminação. “Dá tranquilidade para a nossa saúde, porque lavamos os alimentos com essa água”, contou Irene, esposa de Schineider, de 65 anos.
 

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