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Ceres T. Battistelli/Asimp/ Agência Ehcom


Está marcada para a primeira semana de agosto (dias 1, 2 e 3) a soltura dos 566 animais resgatados durante o enchimento do lago da Usina de Mauá, em Telêmaco Borba. Técnicos do núcleo de Fauna da Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA-Paraná) estão acompanhando todas as atividades de salvamento da fauna terrestre, metodologia utilizada e fluxo dos animais.O IBAMA foi responsável pela emissão de autorizações referentes ao resgate de fauna terrestre, resgate de ictiofauna (peixes) e monitoramento prévio da área de influência do empreendimento – ação indispensável para saber o que existia de espécies no local.“São procedimentos de salvamento e, posteriormente, de soltura dos animais evitando a perda do patrimônio genético das espécies afetadas”, declarou o Superintendente do IBAMA no Paraná, Jorge Augusto Callado Afonso. Ele afirma que o Consórcio Cruzeiro do Sul está cumprindo as determinações previstas nas autorizações concedidas pelo órgão ambiental, visando redução dos impactos.

“Emitimos a autorização e agora estamos acompanhando de perto os trabalhos de campo para evitar danos à nossa fauna”, completa Jorge.

As espécies resgatadas serão devolvidas para áreas de floresta nativa existentes nas proximidades do reservatório, o que permite melhor adaptação dos animais. Uma das áreas selecionadas pertence à empresa Klabin e está localizada na margem direita do reservatório onde existe maior riqueza de fauna. Após a soltura, serão observadas alterações nas populações de animais já existentes no local.

Resultados

Desde o dia 28 de junho – quando a área começou a ser alagada – foram resgatados 566 animais, sendo 215 anfíbios, 277 mamíferos, 72 répteis e duas aves.

De acordo com a veterinária do núcleo de fauna do IBAMA, Eunice Souza, estes números representam apenas 10% da quantidade de animais resgatados em toda a fase de supressão da vegetação nativa, ocorrida antes do enchimento do reservatório. Segundo ela, o desmatamento afugenta naturalmente espécies de felinos e mamíferos. “Ainda assim, encontramos ouriços e tamanduás”, menciona Eunice. 

A veterinária explica que os animais resgatados passam por um processo de triagem, biometria, marcação e sedação - no caso de algumas espécies, principalmente de mamíferos, para minimizar o estresse.

A equipe do IBAMA acompanhou o resgate da fauna utilizando embarcações, já que o enchimento do lago está sendo rápido. Com isso, a maioria dos animais resgatados já estavam na copa das árvores.

“Grande parte eram anfíbios de hábitos arborícolas, mas também foram resgatadas serpentes, entre elas a Cascavel e Caninana, e mamíferos como o ouriço e o tamanduá-mirim”, conta Eunice. Segundo ela, a presença de cobras na copa das árvores demonstra que estes animais estavam realmente fugindo, pois não apresentam este hábito.

Eunice Souza conta que paralelamente ao resgate, o IBAMA está monitorando a área de influência do empreendimento (entorno) para observar as alterações de fauna causadas pelo empreendimento.

“Inclusive de abelhas silvestres nativas sem ferrão - importantes agentes polinizadores que contribuirão para a formação da nova área de preservação permanente - 100m de largura no entorno do reservatório”, ressalta a veterinária.

O Superintendente do IBAMA no Paraná, Jorge Callado, conta que também haverá o acompanhamento dos programas previstos para conservação de espécies ameaçadas de extinção.

Flora

Durante o processo de resgate de fauna foram coletadas mudas e sementes de espécies de flora ameaçadas de extinção como, por exemplo, o Pau-Marfim. As sementes serão utilizadas para recomposição da Área de Preservação Permanente (APP) que será, obrigatoriamente, recomposta em torno do reservatório. Entre as bromélias e orquídeas resgatadas, os técnicos obtiveram o primeiro relato de uma espécie de orquídea no Brasil.

O Consórcio se comprometeu a investir R$ 120 milhões em 34 projetos ambientais que incluem conservação da fauna e flora, resgate arqueológico, qualidade da água, remanejamento e monitoramento da população atingida, proteção de abelhas melíferas e educação ambiental, entre outros.

Usina

Com investimentos de mais de R$ 1,2 bilhão, a Hidrelétrica Mauá adiciona ao sistema elétrico do Estado a potência instalada de 361 megawatts, o suficiente para atender ao consumo de uma população de aproximadamente um milhão de pessoas. O projeto da usina inclui a construção de uma subestação e duas linhas de transmissão em 230 mil volts, que vão transportar a energia ao Sistema Interligado Nacional.

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