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Rodrigo Gutuzo

Livro da jornalista Sônia Bridi fala sobre as mudanças climáticas e a experiência de uma jornalista identificada com as causas ambientais (Foto: Rodrigo Trevisan/Divulgação)Um diário de bordo sobre as mudanças climáticas que vive o nosso planeta atualmente. É o que retrata o livro "Diário do Clima - Efeitos do Aquecimento Global: Um Relato em Cinco Continentes", lançado pela autora, a jornalista Sônia Bridi, em Londrina, no último dia 21.

Jornalista da Rede Globo, Sônia Bridi relatou suas experiências durante a expedição que empreendeu com o marido, o repórter cinematográfico Paulo Zero, pelas regiões mais geladas do planeta. Eles fizeram uma viagem ao redor do mundo durante seis meses para mostrar as transformações que o planeta vem sofrendo com as mudanças climáticas. Entre os países visitados, destaque para Peru, Bolívia, Islândia, Butão, Tanzânia, Itália e Austrália. O trabalho foi uma produção especial para o programa Fantástico.

Após a apresentação, Sônia Bridi respondeu a várias perguntas do público presente, que pode ter seu exemplar do livro autografado pela autora.

Sônia Bridi nasceu em Caçador (SC) e é formada em jornalismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). É repórter da Rede Globo desde 1991, pelo qual foi correspondente internacional em Londres, Nova York, Paris e Pequim. Na capital chinesa, juntamente com Paulo Zero, foi responsável pela implantação da emissora no Oriente. Atualmente, é repórter especial do Fantástico.

Além de "Diário do Clima", a jornalista é autora do livro Laowai: histórias de uma repórter brasileira na China. Sônia Bridi tem familiares em Londrina. Sua irmã, Ana Maria, é professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Em entrevista por email ao Jornal União, a jornalista falou um pouco sobre o novo livro.

Jornal União: O que o público irá encontrar no livro "Diário do Clima"?

Sõnia Bridi: Primeiro vai encontrar um diário de viagem, feito por alguém que adora viajar. Nele, relato tudo o que acontece, o que comemos, o clima, as paisagens. Vai encontrar também aventura, porque muitas das coisas que fizemos demandam um tanto de espírito aventureiro - escalamos a montanha mais alta da África, um pico de 5.200 metros nos Andes. Vai também encontrar um relato sobre como as reportagens nascem e se desenvolvem. E compartilhar as descobertas que fizemos, o que ouvimos de cientistas e de gente que encontramos no caminho.

JU: Após o livro, você vê ainda mais uma urgência para os países e até mesmo da população terem uma nova postura sobre o efeito estufa e os problemas ambientais que vivemos atualmente?

Sõnia Bridi: O que vi me convenceu de que estamos diante de uma mudança drástica, que vai influenciar as nossas vidas de maneira definitiva neste século. E acho que não podemos ignorar o que está acontecendo. Os cientistas dizem que há urgência. Temos tecnologia disponível para substituir várias atividades nocivas à nossa atmosfera. Então acho que deveríamos arregaçar as mangas.

JU: Qual foi a situação mais marcante – ou alarmante - entre todas as viagens?

Sõnia Bridi: A mais marcante foi a Groenlândia, porque no Ártico o aquecimento é mais do que o dobro do resto do planeta. Em 2007 a rota de navios pelo topo do planeta foi reaberta. Vi esquimós comprando geladeira. Geleiras de despedaçando numa velocidade duas vezes maior do que há apenas 10 anos. Só o gelo da Groenlãndia pode fazer o nível dos oceanos subir 7 metros. Não vai derreter tudo, mas basta um pouco disso para o mundo inteiro ser afetado.

JU: Foi a série mais difícil de fazer em sua carreira jornalística, devido os climas adversos, as escaladas, etc.?

Sõnia Bridi: Fisicamente a demanda foi muito grande. Imagine escalar uma montanha sem ser montanhista. E quando os montanhistas chegam lá, tiram uma foto e vão embora, nós temos que chegar bem para começar a trabalhar. Foi difícil psicologicamente também porque quando somos expostos a situações extremas, como o ar rarefeito, o frio de 15 graus abaixo de zero, mais de 30 horas caminhando nessas condições, sem descanso, a gente precisa recorrer à cabeça, é ela que carrega a gente. Mas considero que a série mais difícil do ponto de vista do desafio jornalístico, foi a última que exibimos no Fantástico, a Planeta Terra - Lotação Esgotada, porque o tema é muito duro, trata de pobreza, doenças, fome, falta de esgoto.

JU: Este é o seu segundo livro. Existe algum novo projeto?

Sõnia Bridi: Tenho uma gaveta cheia de projetos. Mas não sei qual nem quando vou começar....

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