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Caroline Moretti

O mercado tecnológico está em constante crescimento. Produtos novos surgem a todo o momento. E que não quer um celular ou computador mais moderno? Porém, o que fazer com os aparelhos antigos? Com essa constante "renovação", surge um problema: o descarte do lixo eletrônico.

Londrina e região têm lugar certo para a destinação desses materiais. A ONG E-lixo, criada há três anos pelo técnico em informática Alex Gonçalves, ao não saber o que fazer com o seu próprio lixo eletrônico.

A ONG é a única do Paraná que trabalha com esse segmento. No Brasil são poucas. "Nós estamos entre as pioneiras", explica Paulo Costa, coordenador do projeto. "Se fala muito de lixo eletrônico, há um ano e meio, quando isso estourou na mídia. O bacana é que a gente já estava trabalhando em cima disso. A consciência da população mudou daí. Quando começou essa preocupação assim a nível mundial as pessoas já tinham um lugarzinho pra descartar" completa.

De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), intitulado "Reciclando – Do lixo eletrônico a recursos", e publicado no ano passado na Indonésia, o volume anual de eletrônicos descartados no planeta aumenta 40 milhões de toneladas por ano. O relatório aponta que a maioria dos eletrodomésticos e aparelhos comuns em casas e empresas contém dezenas de peças perigosas. Admite também a dificuldade de enfrentar o desafio, devido à "complexidade" de desenvolver programas integrais de reciclagem em países em desenvolvimento e aos obstáculos que um sistema de transferência de tecnologia de nações industrializadas para emergentes encontraria.

O coordenador conta que o projeto teve um início de forma simples. "Começou bem amador, só com um local para armazenar, separar, destinar. Começou nem sabendo para onde mandar. Ai isso foi com o tempo, sabendo onde pode mandar placa de circuito, plástico, tubo". Ele ainda explica que nem tudo que chega até eles é reaproveitado. A ONG mantém um projeto social na área de informática que já entregou cerca de 500 computadores. "A gente monta máquinas de novo e destina a algumas instituições de Londrina e região".

Paulo diz que o trabalho na ONG é simples. "A gente recebe hoje cerca de 40 toneladas de material por mês, de sucata eletrônica. Dessas 40 toneladas a gente consegue aproveita uns 25%, transformar em computador novamente". O restante passa por um processo de triagem, onde cada material recebe a destinação correta. "Os metais como o ferro, o cobre e o alumínio que a gente consegue destinar dentro de Londrina mesmo. Os outros componentes vão para Curitiba e São Paulo", afirma o coordenador. Existe também um projeto de coleta, onde a pessoa pode marcar por telefone, e-mail, ou levar os materiais até a ONG.

Para o coordenador, Londrina vem aprendendo a cuidar melhor do meio-ambiente. "A gente está há três anos, mais já tem uma divulgação bem legal. Hoje eu vejo Londrina como uma cidade mais consciente do descarte", afirma.

A E-lixo é independente, não recebendo nenhum repasse governamental, e mantém todos os funcionários e gastos com o dinheiro da venda de materiais. Atende hoje mais de 25 municípios no Paraná. A idéia da ONG é ter um caminhão pra coleta, máquinas motorizadas, empilhadeira, "sair do amador" e melhorar a produção.

O objetivo é expandir ainda mais. "Temos um projeto para levar uma filial da ONG pra Maringá, para atender melhor outras regiões", conta Paulo. A ONG também possui projetos em busca de apoio. "Mas isso é com o tempo, a gente tem a consciência de que é demorado. Hoje a gente já tem licença de operação, alvará, toda a documentação em dia, nós sabemos que pra chegar nesse estágio de conseguir alguma coisa isso é com o tempo", diz.

Sobre a importância do trabalho realizado pela ONG, Paulo reflete. "As consequências do descarte incorreto desses materiais causam danos terríveis ao meio ambiente, ele é pior que qualquer outro lixo, é um lixo que contem metais pesados, em excesso, as pessoas têm que se conscientizar um pouco". Ele se recorda que, quando começou a trabalhar no projeto, eles costumavam pegar o carro e rodar pela cidade, encontrando grandes quantidades desses materiais. "Hoje a população ta mais consciente, hoje praticamente todo mundo conhece a ONG, quem não conhece tem alguém que conhece que indica", completa o coordenador.

Serviço
ONG E-Lixo
Rua Ermelindo Leão, 385
Parque Bom Retiro
Londrina (PR)
Telefone: (43) 3339-0475
E-mail: atendimento@elixo.org.br

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