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Uma das áreas visitadas hoje, na zona norte, havia sido vistoriada por parlamentares em julho do ano passado, mas o problema persiste

Vereadores da Comissão de Administração, Serviços Públicos e Fiscalização e da Comissão de Política Urbana e Meio Ambiente da Câmara Municipal de Londrina vistoriaram na sexta-feira (28) dois terrenos utilizados como ponto de descarte de entulhos e recicláveis. A preocupação é com a saúde dos moradores dos bairros próximos, especialmente em relação a possíveis focos de dengue.

Participaram da vistoria os vereadores Vilson Bittencourt (PSB), Amauri Cardoso (PSDB), Estevão da Zona Sul (PL) e Pastor Gerson Araújo (PSDB). O trabalho foi acompanhado por funcionários da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), da Guarda Municipal e da Secretaria de Gestão Pública, além de Carlos Henrique Santana, coordenador estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos no Paraná (MNDH), entidade autora das denúncias que motivaram a vistoria.

Jardim Ana Terra

O primeiro terreno visitado fica na zona oeste de Londrina, no prolongamento da rua São Benedito, às margens da linha férrea. Em alguns pontos, os montes de entulho passam dos quatro metros de altura e foram encobertos pelo mato. São restos de material de construção, gesso, telhas aparentemente de amianto, pneus velhos com água acumulada e lixo doméstico.

Há aproximadamente três anos, estes resíduos haviam sido retirados pela CMTU de um ponto de descarte irregular, nos fundos do Jardim Santa Rita 6, e levados até este local, explica o vereador Vilson Bittencourt, presidente da Comissão de Administração, Serviços Públicos e Fiscalização. “Nós conseguimos à época, desconfigurar como um terreno de descarte. Hoje não há mais descarte, no entanto, há um passivo ambiental enorme que remonta de 3 a 4 anos. Ele precisa ser retirado porque ali tem gesso, amianto, agentes extremamente agressores da natureza, fora o acúmulo de água”, garante.

Jardim Padovani

O segundo terreno visitado fica no fundo de vale da rua Amélia Avanzi,  entre o Jardim Padovani e o Residencial Vista Bela. O trecho é uma Área de Preservação Permanente (APP) e fica próximo a nascentes do Córrego do Topo. No local, foram encontrados entulhos, galhos de árvore, materiais com água acumulada e restos de recicláveis, lixo e pneus queimados.

No passado, a área havia sido invadida por recicladores, que usavam o espaço para separação de material e moradia. Depois de serem notificados pelo Poder Público, deixaram de residir na área. Este fundo de vale havia sido vistoriado por vereadores da Comissão de Administração, Serviços Públicos e Fiscalização, em 30 de julho de 2019, que pediram providências para as autoridades. Em outubro de 2019, fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) constataram dano ambiental e notificaram a Secretaria Municipal do Ambiente para tomar providências.

O vereador Vilson Bittencourt afirma que a Câmara de Londrina vai agendar uma reunião com representantes da Sema e da CMTU para discutir uma solução ao problema dos pontos de descarte irregular em Londrina, já que estes locais acumulam água e servem como criadouro do mosquito da dengue. “Em outros momentos fizemos uma série de notificações aos órgãos competentes para que fosse feita limpeza e, de fato, isso não aconteceu. Agora que se tornou uma epidemia [de dengue], até por consequência dessa situação, precisamos cobrar uma medida efetiva dos órgãos [públicos]. Não é achar culpado disso daqui e sim achar uma solução em conjunto”, argumenta.

Os dois terrenos visitados pelos vereadores foram denunciados pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos no Paraná, por meio de dois ofícios protocolados na Câmara Municipal de Londrina. O coordenador estadual da entidade, Carlos Henrique Santana, participou da visita e cobrou a retirada do lixo, aplicação de multa aos responsáveis e fiscalização para impedir novos descartes irregulares. “Fica parecendo que o movimento quer prejudicar as pessoas que fazem a separação dos recicláveis. Não é isso. O que a gente quer é que se cumpra a lei. Existe uma lei que colocar fogo em material reciclável é crime ambiental”, afirma.

Outra preocupação do Movimento Nacional de Direitos Humanos é em relação à saúde pública, já que Londrina vive uma epidemia de dengue. “Qualquer acúmulo de água nestes espaços vai criar o mosquito da dengue. Costuma-se dizer que a maioria dos focos está dentro da casa das pessoas. Cada casa dessas [do bairro vizinho] vai ter 200 m2. Um terreno destes tem o dobro ou mais. Temos mais de 200 descartes irregulares em Londrina. Se você for analisar profundamente, não é só a casa das pessoas. Também é a casa das pessoas e esses resíduos jogados em qualquer local”, finaliza.

Vinicius Frigeri/Asimp/CML

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Jardim Padovani  -  Foto: DP Torrecillas Fotojornalismo
Lixão do Jardim Ana Terra em 2017 - Foto: Khamargo/Arquivo Jornal União
Lixão do Jardim Ana Terra em 2017 - Foto: Khamargo/Arquivo Jornal União
Lixão do Jardim Ana Terra em 2017 - Foto: Khamargo/Arquivo Jornal União
Lixão do Jardim Ana Terra em 2017 - Foto: Khamargo/Arquivo Jornal União

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