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A Sanepar iniciou na terça-feira, 6, monitoramento do Ribeirão Lindóia, região Norte de Londrina.

O trabalho busca o retrato da situação atual do corpo hídrico, a partir da análise da qualidade da água em cerca de 20 pontos estratégicos no leito do ribeirão. Caso seja encontrada alguma anormalidade relativa a quantidade de matéria orgânica em alguma localidade, a Sanepar deverá implantar o projeto “Revitalização de Rios Urbanos”.

A gerente Regional da Sanepar em Londrina e Cambé, Mara Lúcia Kalinowski, explica que o trabalho visa encontrar lançamentos de esgotos que possam ser oriundos de algum problema na rede coletora, em ligações irregulares dos imóveis ou ainda de despejos clandestinos de indústrias. “Estamos fazendo nossa parte.

Mantemos equipes de manutenção preventiva e vistoriamos 220 pontos estratégicos da rede na cidade para garantir eficiência operacional. Porém, em geral os rios urbanos sofrem poluição difusa, de materiais normalmente carreados pela chuva. Queremos identificar se há problemas com esgoto irregular para resolver a situação”, explica.

De acordo com a gerente, inicialmente, a equipe formada por técnicos da manutenção de redes e de gestão ambiental, fará um pré-diagnóstico do Lindóia, depois será gerado um relatório operacional e mapa com os valores de oxigênio dissolvido encontrados. “Esta é uma técnica que nos dá resultados instantâneos.

Conseguimos mensurar a demanda de oxigênio dissolvido para detectar a presença de matéria orgânica, relacionamos com a temperatura, a pressão atmosférica e a localização do ponto para construir um retrato da situação”, conta. A previsão é que o trabalho siga até amanhã (9).  Serão percorridos cerca de 12 km entre a nascente do Lindóia (próximo do Pool de Combustíveis) até a ponte da avenida Angelina Ricci Vezozzo, logo abaixo do Lago Norte.

O projeto de “Revitalização de Rios Urbanos” consiste na varredura da bacia hidrográfica em busca da origem do problema, ou seja, do provável poluidor. A metodologia é nova na Sanepar e está sendo utilizada há 90 dias em Curitiba. O objetivo é manter o rio dentro dos parâmetros previstos na Resolução do Conama – Conselho Nacional de Meio Ambiente – n. 357/2005, que classifica rios urbanos como Classe 2. “Nestes, a demanda de oxigênio deve estar acima de 5 miligramas por litro (mg/l), condições ideais para a existência de peixes e outros seres vivos. Abaixo de 2 mg/l, o rio é morto”, destaca.

Mara Lúcia explica que, a partir de sua implantação, o projeto não tem prazo para a acabar e só deve ser encerrado quando o problema for sanado. “O que não estiver na nossa competência deverá ser encaminhado ao órgão competente”, ressalta. “De qualquer modo, esperamos que parcerias sejam construídas para permitir um melhor convívio da população com o rio”, completa.

Testemunha

Luciano Pereira Castro vive com a esposa Solange e quatro filhos às margens do Ribeirão Lindóia, nos fundos do Residencial do Café. Ele acompanhou os trabalhos da equipe da Sanepar e lamentou a situação do ribeirão. “Moro aqui há oito anos e a cada ano vejo a água mais poluída. Costumo vir aqui e recolher lixo, mas não deixo os meus filhos brincar porque é muito perigoso”, relata. De acordo com Castro, é ele quem desentope os bueiros em frente a sua residência. “Tenho que limpar os bueiros para a água da chuva não invadir a minha casa. É muito lixo, garrafas pets, que descem para o rio. As pessoas não pensam no depois, para elas se hoje está bom, não importa o que vão deixar para os filhos e netos”, lamenta.

Castro é consciente de que mora em situação irregular e até já foi notificado pelo município para desocupar a área. “Em vez deles querem que a gente saia de qualquer jeito, devia olhar para quem cuida do rio. A realidade é de abandono. Eu até tirei meus animais daqui, antes eu vinha e retirava lixo todos os dias”, comenta.  “Acho que se cada um fizesse sua parte poderia cobrar mais das autoridades, infelizmente as pessoas ajudam a destruir”, aponta.

(Asimp/Sanepar)

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