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O colombiano Juan Carlos Osório assumiu o São Paulo com muita desconfiança de todos: torcida, imprensa e até dos adversários. Logo na chegada, o elenco do tricolor foi enfraquecido com a saída de atletas, titulares ou não, que reduziram as opções do comandante. Pois bem. Mesmo assim, apesar de resultados adversos como ser goleado pelo Santos no clássico, tomar 3 do Goiás no Morumbi e empatar com a Chapecoense em talvez o pior o jogo do Brasileirão, o saldo é positivo.

Primeiro pelo trabalho. O São Paulo briga pelo G-4, está nas quartas de final da Copa do Brasil, tem um padrão ofensivo de jogo, que marca a saída de bola do adversário e ocupa bem os espaços. Mesmo trocando jogadores, o padrão de jogo é repetido, apesar do desnível do plantel. Segundo pelo jeito franco nas entrevistas. Nunca deixa pergunta sem resposta, não tem receio de apontar falhas sem expor os jogadores e não tem medo de falar sobre temas pantanosos para outros profissionais, como tática, vaias de torcida e adversários mais ou menos qualificados. Outro aspecto que chama atenção e talvez, seja o principal, é a simplicidade no trato.

Precisou um técnico estrangeiro, que guarda canetas esferográficas vermelha e azul na meia e anota em pedaços de papel as jogadas certas e ou erradas para mostrar que futebol, sobretudo o brasileiro, deve ser jogado para a frente. Segundo. Um estrangeiro soube dar valor a essência do futebol solto, agressivo e até moleque, ao liberar o drible e estimular o improviso, desde que em lance ofensivo. Terceiro. Em cada contato com os jornalistas ele mostra desapego ao cargo, ou seja, não vai mudar seus conceitos pela cornetagem de cartolas, pressão da torcida ou reclamação de outros. Ele é assim. Gostou, segue o trabalho. Se não, tchau e benção.

Com esse estilo sereno e moderno, visto que trabalhou seis anos no Manchester City da Inglaterra como auxiliar, Osório é uma prova viva do acadêmico que dá certo. Foi um discreto jogador do Pereyra da Colômbia. Quando concluiu que tinha de estudar para ser treinador, foi se especializar. É treinador formado na Holanda, com suas Universidades avançadas e futebol ofensivo e Pós graduado em Ciência do futebol na Universidade de Liverpool, Inglaterra. Claro que no Brasil, o resultado imediato garante emprego, mas o nada convencional colombiano é um fato novo positivo para oxigenar e tentar contribuir no resgate da identidade do futebol jogado pelos brasileiros.

Guilherme Lima - Jornalista - Londrina - PR

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