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Deputado explica como a substituição de um sistema gratuito por um sistema pago trará prejuízos ao Estado e abrirá dados sigilosos para a iniciativa privada.

Em vigor desde 2003, a Lei paranaense que garante a utilização de Software Livre e gratuito no sistema de computadores do Governo do Paraná está com os dias contados. Tudo porque um conjunto de três Projetos de Lei aprovados na Assembleia Legislativa esta semana revoga a norma, sob a justificativa equivocada de o atual sistema ser “oneroso” aos caixas do Paraná.

Para o Deputado Estadual Requião Filho acabar com a lei é um grande retrocesso, é incoerente e coloca a segurança do Estado em risco, uma vez que substitui um sistema gratuito por um sistema pago, trazendo prejuízos ao Estado e abrindo dados sigilosos para a iniciativa privada.

 “A Lei sancionada no Governo Requião sempre foi motivo de orgulho e de destaque entre os Estados da Federação. Serviu de modelo para a criação e o desenvolvimento de sistemas nacionais de controle de dados, como os da Receita Federal e até da Presidência da República. Garante gratuidade, independência e segurança no sistema tecnológico, sob o gerenciamento do nosso Celepar”, alertou.

O parlamentar teme pela segurança dos dados dos paranaenses que podem ser abertos a partir de agora, de emplacamento de veículos ao controle do ICMS.

 “É um retrocesso nas políticas e ações públicas, especialmente na adoção e fomento de ações ligadas ao Software Livre. Não há dúvidas de que, por trás deste projeto, está a intenção de vender a Celepar e ficaremos reféns de um sistema operacional gringo, que abre nossos dados para o mundo e que em nada favorece o Paraná. Trata-se de um conjunto de informações que serão abertos, justamente num momento onde a segurança e o combate aos cyber ataques são os principais desafios dos governantes no mundo inteiro. Vai na contramão do interesse público. É um erro muito amador e que coloca o Paraná em risco”.

O que pensa o ex-presidente do Celepar

Mesma opinião tem o ex-presidente do Celepar, Marcos Vinícius Mazoni, que recebeu a notícia com espanto e incredulidade. Ele lembra que, na época em que foi implementado no Paraná, nos primeiros quatro anos, o Tribunal de Contas recomendou um estudo de impacto financeiro. O resultado foi uma economia de mais de meio milhão de reais.

“Só de licenças, que devem ser pagas anualmente, economizamos na época R$ 123,7milhões – em valores corrigidos, atualmente seria em torno de R$ 180 milhões. Fora as plataformas criadas para atender a Educação, a Saúde, o Detran e outros, que representaram o fim de contratos com a iniciativa privada, gerando uma economia superior a 450 milhões de reais. Nosso exemplo inspirou inclusive, na época, a criação de um sistema próprio e seguro para a declaração de Imposto de Renda, adotado até hoje pela Receita Federal. Como é que eles pensam em abrir essa base de dados para a iniciativa privada? É inconcebível”, afirmou

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