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A severa estiagem que assola o estado do Paraná não deve causar o racionamento de água. É o que afirma o diretor-presidente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Claudio Stabile, que explicou aos deputados estaduais, na sessão plenária remota de ontem (19) da Assembleia Legislativa do Paraná, as ações tomadas pelo órgão para enfrentar o longo período sem chuvas no Estado. De acordo com Stabile, as medidas preventivas implantadas pela Sanepar devem evitar que seja necessário realizar o racionamento de água no Paraná. A participação atendeu a uma solicitação da Liderança do Governo e dos deputados estaduais.

Entre as ações realizadas pela empresa estão o rodízio nos sistemas integrados e em alguns sistemas isolados de abastecimento da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a aceleração e antecipação de obras, o aproveitamento de reservas estratégicas e a transposição de rios. Com o agravamento da estiagem, o governo estadual decretou, no início de maio, situação de emergência hídrica por 180 dias. "Com o sistema de rodízio, não deixamos de entregar o produto. O último remédio, o mais amargo, é o racionamento. Diferentemente do rodízio, não há garantia de entrega do produto. Estamos trabalhando para que isso não ocorra", afirmou Stabile.

Segundo dados publicados pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o déficit de chuvas atingiu o Estado de forma generalizada em abril. A variação, dependendo da região, chega entre 30% a 90%. A pandemia do novo coronavírus também influenciou na situação, aliada à estiagem prolongada e às temperaturas elevadas. A situação provocou um aumento de 11% no consumo de água residencial no Paraná. Os dados são de abril 2020, em comparação com abril de 2019, da leitura feita nas residências dos paranaenses atendidos pela Sanepar.

Para o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Ademar Traiano (PSDB), o momento exige atenção. "O diretor-presidente da Sanepar fez uma exposição das medidas que a empresa vem tomando em relação à crise de abastecimento e a necessidade de uso racional da água neste período de seca histórica, que coincidiu com a pandemia do coronavírus. Um momento grave de crise que exige muita conscientização das pessoas", afirmou Traiano.

O presidente também comentou o espaço que a Casa tem oferecido para discussão de temas que ofereçam soluções para a crise. "A Assembleia tem dado essa abertura, nesse momento em que se exige a transparência total, trazendo secretários de Estado e presidentes de companhias que podem resolver as dúvidas e acatar as sugestões dos deputados", explicou.

Em relação à crise econômica causada pelo coronavírus, o presidente da Sanepar disse que desde o dia 12 de março a Companhia não está efetuando o corte das ligações. Medida que também é amparada pela lei estadual 20.187/2020, aprovada pelos deputados estaduais na Assembleia Legislativa.

Sobre valores considerados elevados nas faturas, relatou que por medida de proteção aos leituristas que ficaram por um período em isolamento, a Companhia efetuou a cobrança através de uma médias de consumo, o que pode ter alterado os valores, mas que aqueles que considerarem o valor alto, deve entrar em contato com a Sanepar para verificar a situação.

Rodízio

O decreto 4.626/2020 regulamenta e dá respaldo às empresas de água que atuam no Estado para tomar medidas de racionamento, equilibrando a distribuição entre todos os consumidores e regiões. Com a medida, fica permitido rodízio no abastecimento por até 24 horas. Além da Sanepar, consórcios municipais e uma empresa privada prestam o serviço no Paraná.

O Paraná atravessa a seca mais severa dos últimos 30 anos. "Passamos um período delicado. A falta de chuvas é cíclica, mas se não tomarmos medidas fortes, podemos não ter água para as próximas gerações", alertou o diretor-presidente da Sanepar.

Seca

De acordo com notícia divulgada pela Agência de Notícias do Paraná, um levantamento divulgado pelo Simepar revela que há um déficit acumulado de chuvas para a região de Curitiba de -43,1%, Ponta Grossa (-40%), Guarapuava (-47,2%), Foz do Iguaçu (-34,7%), Cascavel (33,8%), Umuarama (-31,1%), Litoral (-22,7%), Maringá (-15%) e para Londrina, também de -15%. No geral, segundo o instituto, observa-se um acumulado negativo de pluviosidade de aproximadamente - 30% no Paraná.

O Simepar alerta que o período de estiagem no Estado deve se estender pelo menos até setembro, criando um cenário de seca ao longo do outono e do inverno. Com isso, os mananciais levarão ainda mais tempo para recuperar as condições normais de abastecimento. Outro ponto é que a própria climatologia de precipitação do Paraná aponta para valores menores de chuva nos meses do outono e inverno.

Asimp/Alep

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