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Foi cantando que a presidente da Associação das Mulheres do Café do Norte Pioneiro do Paraná (AMUCAFÉ), Claudionira Inocência de Souza, agradeceu o título de Menção Honrosa recebido, na terça-feira (21), na Assembleia Legislativa do Paraná, uma homenagem proposta pela deputada Cristina Silvestri (CDN) e pelo deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB).

“Nós somos protagonistas de uma revolução silenciosa no Norte Pioneiro do nosso Paraná. Nós somos pioneiras, as mulheres do café. Entenda quem quiser o trabalho que fazemos junto com nossa família, nós vivemos aqui na roça trabalhando com café, pois ele dá o nosso sustento”, dizia a canção.

Claudionira, ou simplesmente Nira, como é chamada, agradeceu aos deputados pela homenagem que é o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela AMUCAFÉ que visa o desenvolvimento da autoestima das mulheres produtoras de café, mostrando a elas que possuem condições de fazer a diferença no plantio e manejo do produto, principalmente de um café de tipo especial que é produzido na região. “Agradeço a todos os deputados e deputadas por esse momento tão especial na nossa vida. A gente fica emocionada de estar aqui e ouvir a nossa história sendo contada pela deputada Cristina”, disse. “Nossa demanda é grande para manter essas famílias cafeicultoras no Norte Pioneiro do Paraná. Por isso a criação da AMUCAFÉ veio para dar esse suporte para essas mulheres que estão lutando para manter suas famílias, manter a agricultura familiar. Só temos a agradecer por esse momento e por tudo o que está acontecendo. Ficamos lisonjeadas por esse momento que estamos aqui sendo recebidas por vocês”.

Em sua fala, a deputado Cristina Silvestri fez um breve relato do ciclo do café no estado, que foi o maior produtor em anos passados. “O café financiou a construção do Centro Cívico, que ajudou a consolidar a nossa identidade de paranaense. Financiou as primeiras estradas ligando o norte produtor ao Porto de Paranaguá. Hoje, o Paraná é o sexto produtor brasileiro de café. Trocamos a quantidade pela qualidade. São investimentos em produtos mais refinados, que gradualmente conquistam novos mercados no exterior”, disse em referência ao trabalho desenvolvido pela AMUCAFÉ.

“Tudo começou em 2013, quando equipes técnicas faziam monitoramento nos sítios de agricultores familiares e observou que as mulheres estavam em todo o ciclo de produção, desde o cultivo, o manejo e a secagem no pátio”, recordou a deputada. “Mas as mulheres não participavam das reuniões técnicas mensais. E quando alguma delas participava, os resultados eram visivelmente melhores”.

A partir daí, relata, essa equipe técnica da antiga Emater, hoje Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), concluiu que estas mulheres tinham condições de cultivar um café especial. Que seria o diferencial dessas produtoras. Foi criado uma metodologia para o manejo e a produção do café especial, porque este café exige muitos detalhes, muito monitoramento. Assim, aliou “a parte técnica, a parte social, trabalhando a autoestima dessas mulheres, mostrando que elas têm condições de fazer a diferença, até pela natureza da mulher, minuciosa, comprometida, com a sensibilidade feminina, um olhar atento para as pequenas diferenças. E assim nasceu a AMUCAFÉ, Associação das Mulheres do Café do Norte Pioneiro”.

Em 2015, três produtoras foram campeãs do concurso Café Paraná e, desde então, estão entre os cinco melhores café avaliados pelo concurso. “Foi com ousadia e coragem que as mulheres ocuparam seu espaço e passaram a participar de forma mais ativa na renda familiar. Hoje são 250 produtoras, nos 11 municípios. 80 produzem o café especial e estão aumentando dia a dia, graças ao trabalho, a determinação dessas mulheres e o monitoramento da equipe técnica e social do IDR Paraná”, disse Cristina.

O café produzido é exportado para o Chile, Japão, Austrália e Estados Unidos, além de países europeus. “Essa foi a grande conquista. Enfrentaram o desafio mesmo quando muitos desacreditaram e até riram da sua ousadia. Hoje essas mulheres estão aumentando consideravelmente a renda familiar, mostrando que tudo é possível quando se sonha junto, com coragem e determinação. O resultado é o que vemos hoje, com essas valorosas mulheres que muito nos orgulham. Que sejam inspiração para tantas outras”, finalizou.

O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB) destacou que a produção de café especial, assim como a fruticultura, tem contribuído para que o Norte Pioneiro se desenvolva e deixe de ser considerado o “ramal da fome”.

“Agradeço o trabalho que vocês realizam. Acompanho o trabalho que vocês têm realizado, essa articulação, da associação dos 11 municípios no nosso Norte Pioneiro. Nossa região já foi um grande maciço de cafezais. As mudanças climáticas que tivemos fizeram com que o café se deslocasse, e a nossa região ficou com o café de qualidade, especialmente produzido”, relatou. “É de se reconhecer o trabalho do IDR, dos seus técnicos e empenho. E no caso das mulheres do café, um dos grandes desafios da região é fazer com que as pessoas entendam o valor do cooperativismo. Esse trabalho pioneiro que vocês realizam é extraordinário. É uma singela homenagem do povo paranaense, através do Parlamento estadual. O fortalecimento da agricultura, do Norte Pioneiro, e fico feliz, orgulho de mostrar essas inovações, mostrar que o Norte Pioneiro deixou de ser o ramal da fome. Vamos avançando com o conhecimento que vai mudando a nossa realidade”.

O deputado Professor Lemos (PT) aproveitou a ocasião para parabenizar as produtoras pelo exemplo que elas dão, levando o nome do Norte Pioneiro, do Paraná para todos os cantos do mundo. “São mulheres que fazem história. Sou um consumidor desse café especial feito no nosso estado que vai para o mundo todo e que aumenta a cada ano o consumo, gerando renda, emprego e divisas para o nosso estado. É um exemplo muito bom que o Norte Pioneiro, que o Paraná, dá a o Brasil”.

Também participaram da homenagem a tesoureira da AMUCAFÉ, Elielce Monteiro machado; a secretário da AMUCAFÉ, Thaís Cristina machado Vidal; a coordenadora do Projeto Mulheres do Café do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), Cíntia Mara Lopes de Souza; e o técnico do Projeto Mulheres do Café do IDR, Uherlys Clayton Bruneli Marques.

ALEP

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