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Número representa 24% do total de projetos aprovados no edital em nível estadual e demonstra a força do ecossistema local de inovação

A região norte teve 72 ideias selecionadas na primeira fase do Programa Sinapse da Inovação, que tem como principal objetivo incentivar o empreendedorismo inovador por meio da transformação dos projetos inscritos em negócios de sucesso com a oferta de recursos financeiros e capacitações. Ao todo, 1.851 ideias foram submetidas e 300 foram selecionadas para a segunda fase. Só Londrina é responsável por 15% do total de aprovadas. O programa será executado pelo Governo do Paraná, por meio da Celepar e Fundação Araucária, com operação da Fundação Certi e apoio do Sebrae/PR e Fiep.

Para o consultor do Sebrae/PR, Heverson Feliciano, o alto índice de projetos aprovados comprova a força do ecossistema local de inovação. “É o resultado do trabalho desenvolvido aqui no território com todas as cadeias de valor, instituições de ensino e pesquisa, incubadoras. Todo esse grande movimento que ocorre na região refletiu no Programa Sinapse da Inovação”, argumenta.

Os projetos aprovados poderão se inscrever para a próxima fase da seleção, que será aberta entre os dias 24 de junho e 8 de julho. O programa terá três fases e selecionará 100 projetos em todo o Paraná. Cada um receberá um investimento de até R$ 40 mil do governo estadual para levar a ideia adiante.

Entre as ideias selecionadas está a do bacharel em Informática e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jacques Duílio Brancher. A proposta apresentada por ele, em parceria com o enfermeiro assistencial na UTI Neonatal do Hospital Pequeno Príncipe, de Curitiba, Thiago Chiquiti, é de desenvolver um software que receba informações dos pacientes da UTI Neonatal e mantenha atualizados todos os cálculos e prescrições de remédios para a manutenção da vida dos bebês em tratamento.

“Hoje, a dosagem é calculada com base no peso dos pacientes. A pesagem ocorre diariamente ou semanalmente, de acordo com a gravidade de cada caso, e as informações ficam em um card fixado na parede ao lado de cada leito que deve ser atualizado manualmente”, conta. Ele diz que a ideia surgiu a partir da internação do filho na unidade. Segundo Brancher, o objetivo é disponibilizar as informações em monitores nas UTIs e dar mais celeridade e segurança nos cálculos de dosagens de medicamentos para os pacientes.

Outra ideia aprovada na primeira fase do edital é a da equipe do engenheiro civil e professor do curso de Engenharia Ambiental na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) de Londrina, Ricardo Nagamine Costanzi. A proposta é desenvolver um filtro eletroquímico para a remoção de micropoluentes da água potável. “Micropoluentes são, por exemplo, resíduos de agrotóxicos que ficam dissolvidos na água e não são removidos nos tratamentos tradicionais feitos pelas concessionárias de saneamento”, explica.

O filtro, que já está em teste em laboratório, consegue reter esses resíduos ou degradá-los em formas menores e menos prejudiciais à saúde. O objetivo é evitar que esses materiais permaneçam na água usada para o abastecimento da população e minimizar os riscos de doenças como câncer, desregulação hormonal, infertilidade, neurotoxicidade, abortos, malformações em fetos, infertilidade, além de efeitos sobre o sistema imunológico.

O Gamellito Adventures, um game desenvolvido para crianças com diabetes, também foi aprovado na primeira seleção. O projeto da equipe da doutora em Gestão de Design e professora da UEL, Rosane Fonseca de Freitas Martins, tem a proposta de educar as crianças e adolescentes para que aprendam a lidar com a doença no dia a dia de uma forma mais divertida. “A criança se identifica com o personagem, que também tem diabetes, e precisa cuidar dela monitorando a glicemia, escolhendo a alimentação correta”, conta Rosane.

O jogo já existe na versão Beta e pode ser baixado no Google Play, mas ainda está em teste. O projeto, que surgiu da tese de doutorado em Psicologia da professora Vania Maria Vargas, já foi premiado nacional e internacionalmente. “Se formos selecionados pelo programa pretendemos aplicar os recursos no reforço da equipe e nas pesquisas. Estamos desenvolvendo uma versão por assinatura, destinada a profissionais de saúde, para que o game seja usado como ferramenta de comunicação com os pacientes”, adianta.

As três fases da seleção vão seguir critérios como potencial de inovação e mercado, capacidade de gestão e benefícios para a região.  Ao longo do processo, os empreendedores terão que construir um plano de negócio e um projeto de fomento, detalhando o orçamento e a execução. Em todas as etapas, eles contarão com apoio de consultoria presencial e online. A operação do Sinapse está prevista para dezembro deste ano e, além dos R$ 40 mil, os escolhidos vão passar pela fase de pré-incubação, com suporte do Sebrae/PR, para o desenvolvimento dos produtos e modelo de negócio, durante seis meses. 

Sinapse da Inovação

Criado em 2008 pela Fundação Certi, o Sinapse da Inovação já passou por quatro estados. Em 2019, pela primeira vez, o edital foi lançado no Paraná. Ao todo, o Programa já ajudou na criação de 483 empresas em Santa Catarina, que geraram mais de 2 mil empregos diretos. No Amazonas, foram 28 startups apoiadas e 46 no Espírito Santo.

Adriano Oltramari/Asimp

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