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A privatização das subsidiárias da Petrobrás no Paraná pode resultar em impactos sociais e econômicos profundo no estado, afirmaram especialistas que participaram de uma audiência pública remota organizada pela Assembleia Legislativa do Paraná ontem (03) para discutir o assunto. Para se ter uma ideia, apenas as subsidiárias paranaenses representaram, sozinhas, entre os anos de 2017 e 2018, mais de 7% da arrecadação de impostos do Estado. A Petrobrás é a segunda maior contribuinte em ICMS do Executivo, atrás apenas da Copel. O corte de milhares de postos de trabalho também preocupa.

A força da empresa no Paraná reuniu governistas e oposição para promover a campanha “Petrobras Fica no Paraná”, que tem como objetivo debater mecanismos para impedir a venda das subsidiárias da Petrobras instaladas no estado. O debate foi proposto pelo líder da Oposição na Assembleia, deputado Professor Lemos (PT), e pelo líder do Governo, deputado Hussein Bakri (PSD), e reuniu políticos, economistas, pesquisadores e representantes dos petroleiros. Ao final do evento, foi decidido o envio de expediente dos deputados paranaenses ao presidente da República solicitando que a empresa permaneça em solo paranaense.

Atualmente, o Paraná corre o risco de perder as subsidiárias da Petrobras instaladas no estado, a Unidade de Industrialização de Xisto (SIX), em São Mateus do Sul e a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária. A ideia é de que a empresa concentre todo sua atuação em São Paulo e no Rio de Janeiro. De acordo com os participantes, a medida vai causar o desemprego de milhares de trabalhadores e afetar cadeias econômicas regionais importantes.

Para a socióloga e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Carla Ferreira, é difícil projetar com precisão os impactos das vendas das subsidiárias, mas existem elementos importantes gerados pela presença da Petrobrás no Paraná. Segundo ela, a empresa tem impacto significativo na arrecadação do Estado e dos municípios; no atendimento regional e nos preços de derivados. “Não há garantia de que a concorrência pelas características do mercado brasileiro. Com isso, há o risco de descoordenação, de monopólio privado e maior volatilidade de preços”, explicou.

O economista e doutorando em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador-visitante da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Rodrigo Leão, concordou. De acordo com o ele, as privatizações podem resultar em formação de monopólios/oligopólios privados, além de gerar apagões pontuais de abastecimento derivados, sem qualquer garantia de redução de preços. “Como a Petrobras não vai mais coordenar o abastecimento, esta ausência pode ter estas consequências, como falta de derivados e preços mais altos”, avaliou.

O coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Petrobras, senador Jean Paul Prattes (PT-RN), informou que o grupo entrou com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o Governo Federal consulte o Congresso sobre qualquer intenção de venda da Petrobras. “Com a venda, vamos ter no final uma Petrobras muito menor, concentrando o trabalho e a pesquisa apenas nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Assim, a empresa vai perder sua conexão com outros locais do País”, disse.

O líder do Governo, deputado Hussein Bakri, reafirmou o interesse do governo estadual de que a empresa permaneça no Paraná. “Este movimento tem nosso apoio. O governo vai entrar nessa para pedir a manutenção desses empregos no Paraná. Vamos lutar até o fim”, disse. “Há um movimento nacional em defesa da Petrobras. São subsidiárias importantes que ficam no Paraná e não queremos abrir mão destas empresas. Não podemos concordar com isso”, complementou o líder da Oposição, deputado Professor Lemos. “No Paraná, a Petrobrás é responsável por desenvolver também tecnologia e pesquisa, além da geração de produtos. É inaceitável que isso aconteça. Como fechar uma fábrica com mais de mil empregados?”, indagou o presidente do SINDIPETRO, Alexandro Guilherme.

Também participaram os deputados Tadeu Veneri (PT), Luciana Rafagnin (PT), Arilson Chiorato (PT) e Requião Filho (MDB).

Asimps/ALEP

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