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Estudantes não conhecem a Constituição Federal e não sabem o que faz um deputado estadual

Uma pesquisa feita com mais de mil estudantes do Ensino Médio mostra que conceitos básicos de cidadania passam longe das salas de aula brasileiras. A maioria dos alunos não conhece a Constituição, não sabe o que é democracia e ignora a função de um deputado estadual. O questionário faz parte de um projeto da Unopar envolvendo os cursos de Direito e Pedagogia. As perguntas foram feitas a alunos do Ensino Médio de escolas públicas em três cidades do sul do País: Londrina (PR), Chapecó (SC) e Passo Fundo (RS).

De um total de 1012 participantes, 70% não sabem quais são seus direitos sociais; 78% não sabem o que é a Constituição Federal do Brasil; 40% não conhecem os Três Poderes; 68% não sabem o que faz um Deputado Estadual; 70% não sabem o que é a democracia nem como participar dela. Quase 65% dos alunos acreditam que os conteúdos do Ensino Médio não são adequados para as exigências do mundo atual e 52% acreditam que o Ensino Médio não prepara o aluno para o exercício da cidadania. Não é surpresa que 65% dos pesquisados sejam a favor da inclusão de conteúdos sobre Direito e Cidadania no currículo escolar.

O projeto da Unopar começou a ser desenvolvido no ano passado, com cinco alunos do curso de Direito em Londrina (um deles bolsista) e dois alunos do curso de Pedagogia no sistema de Ensino a Distância, nas cidades de Chapecó e Passo Fundo. Todos participam como voluntários. Eles queriam saber qual a necessidade e a opinião dos estudantes do Ensino Médio sobre a inclusão de conteúdos de Direito e Cidadania no currículo. A pesquisa foi aplicada entre os meses de fevereiro a julho deste ano. O resultado surpreendeu os próprios pesquisadores. “Essa necessidade ficou evidente. Muitos alunos demonstraram desconhecer completamente conceitos fundamentais para qualquer cidadão de um Estado democrático. Um jovem de 16 anos já pode votar mas como ele vai votar se nem sabe o que faz um deputado?”, pergunta o professor André Trindade, coordenador do projeto.

Os dados da pesquisa foram tabulados e serão enviados em forma de relatório para todas as Secretarias Estaduais de Educação do País. “Queremos demonstrar que a necessidade deste conhecimento é perceptível e gostaríamos de sugerir que estes conteúdos sejam inclusos nos currículos das escolas”, adianta o professor. “Acreditamos que esta é a maneira de preparar o jovem para o exercício da cidadania e que esta iniciativa muda também toda a sociedade”, complementa.

Desinteresse é causa de evasão escolar

Atualmente, o Ensino Médio é visto como a etapa mais problemática da educação básica no Brasil, com altos índices de evasão escolar. Uma pesquisa de 2009 baseada em dados do IBGE mostrou que 40% dos jovens de 15 a 17 anos abandonam a escola por desinteresse.

Para tentar mudar essa realidade, o Conselho Nacional de Educação aprovou recentemente novas diretrizes curriculares para o Ensino Médio. Elas prevêem maior flexibilização do currículo e mantêm a carga horária mínima de 2,4 mil horas, abrindo espaço para que a sua duração seja ampliada caso haja interesse das escolas de oferecer conhecimentos e atividades extras. O relatório do Conselho indica que a escola deve trabalhar a formação a partir de quatro eixos básicos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura. Na prática, isso significa que as escolas terão liberdade para incluir novas disciplinas e atividades no currículo.

As novas diretrizes aguardam a homologação do Ministério da Educação.

(Asimp/Unopar)

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