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Ministério da Educação analisa duas possibilidades: crescer de 200 para 220 dias letivos anuais ou aumentar o número de horas por dia no colégio

O ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou na segunda-feira (12) que o Ministério da Educação (MEC) estuda aumentar as horas de permanência de crianças brasileiras na escola. Na abertura do Congresso Internacional Educação, em Brasília, Haddad afirmou que os estudantes devem passar mais tempo na escola.

Em nota, o Ministro confirmou que comparado com outros países, os estudantes do Brasil ficam pouco tempo no ambiente escolar.

O ministério estuda duas possibilidades: crescer de 200 para 220 dias letivos anuais ou aumentar o número de horas por dia no colégio. Atualmente, os estudantes contabilizam um total de 800 horas ao ano. De acordo com a nota, o ministro destaca que essas duas propostas são excludentes.

Para manter o estudante mais tempo na escola, Haddad avalia antecipar a meta de ter metade das escolas públicas funcionando em regime integral, prevista para ser cumprida até 2020, ou até mesmo enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional. De acordo com o ministro, a ideia é aumentar o número de horas por ano que a criança fica sob a responsabilidade da escola.

O estudo está sendo feito em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).

Ensino de qualidade

O ministro reconhece que a meta exigirá mais recursos da pasta. Segundo ele, uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), em discussão no Congresso Nacional, é elevar para 7% do Produto Interno Bruto (PIB) os investimentos no setor. O novo PNE estabelece 20 metas educacionais que o país deverá atingir até 2020.

Para o diretor acadêmico da Faculdade de Educação Superior do Paraná (FESP), Marco Paludo, teoricamente os alunos do Ensino Médio poderão ter uma formação com mais qualidade ficando mais tempo dentro da instituição. “Mas é preciso reforçar que o ideal da educação é ter uma formação com excelência. Garantir que o aluno tenha uma formação com plena qualidade. Como a estratégia para suprir essa deficiência é aumentar o número de dias letivos, é preciso também os profissionais também sejam sempre bem qualificados”, destaca Paludo.

Segundo Marco Paludo, é comum as faculdades e universidades brasileiras adotarem estratégias para suprir as necessidades dos alunos que ingressam no Ensino Superior. “O professor das faculdades ou universidades, por muitas vezes têm de recuperar assuntos que deveriam ter sido ensinados no Ensino Médio para poder atingir seus objetivos e fortalecer a base necessária para a graduação”, aponta o diretor acadêmico da FESP. Recursos como monitoria, aulas suplementares e acompanhamento direto dos professores são estratégias comuns dentro dos cursos superiores para os calouros em todo o país.

Para a coordenadora pedagógica do Colégio SESI FESP, Rosangela Galvão de Melo, a proposta é excelente e de certa forma já é adotada pela rede de colégios do Serviço Social da Indústria (SESI) Paraná. “O SESI já pensou na necessidade e principalmente na importância desta ampliação do número de dias letivos anuais bem antes do Ministério da Educação. Hoje, temos 213 dias letivos anuais. A diferença no número total de dias letivos garante mais qualidade e mais aprendizagem para os alunos”, explica a coordenadora. Segundo Rosangela, os alunos não possuem aulas aos sábados, mas em horários denominados contraturnos com aulas de matemática básica, para Ensino Médio, desenho geométrico e produção textual. “Estes horários são determinantes para ampliar e reforçar essas disciplinas garantindo sustentação para os alunos fazerem o vestibular e serem aprovados. Se tivéssemos apenas 200 dias letivos seria complicado proporcionar este tipo de estratégia de qualidade”, aponta Rosangela.

A coordenadora do Colégio SESI FESP enfatiza que os 200 dias letivos são insuficientes para garantir qualidade aos alunos. “Não adianta ter 200 dias letivos em uma grade fechada. Quando o aluno chegar à faculdade, ele vai sofrer por que aprendeu o básico do básico. É preciso fazer com que o aluno do Ensino Médio realmente fique mais tempo na escola, estude mais e chegue mais preparado ao ensino superior”, conclui Rosangela Galvão de Melo.

(Kelson Henrique/Asimp/FESP)

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