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Apoio da Eletrosul contribui com a compra de material didático e outras despesas do curso.
O cursinho pré-vestibular da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (ACNAP) já ajudou cerca de 2 mil estudantes no ingresso ao ensino superior e, também, ao mercado de trabalho. Um dos diferenciais do curso, que tem o apoio da Eletrosul, é que, além da grade curricular exigida em concursos vestibulares, são repassadas informações a respeito da cultura afro, consciência negra, movimentos sociais e cidadania, entre outros.
“Essas aulas são muito importantes, pois o aluno tem que entrar na universidade sabendo que ele faz parte de um grande projeto, um projeto de transformação do Brasil”, salientou o presidente da ACNAP, Jaime Tadeu da Silva.
O cursinho ainda contribui no preenchimento das mais de 800 vagas ofertadas por meio de cotas no ensino superior paranaense. “Nós da ACNAP temos 23 anos de história e entendemos que, nos últimos 10 anos, o nosso grande papel é colocar pessoas nas universidades. Desde 2004, quando conseguimos aprovar as cotas, estamos lutando para inserir mais pessoas no ensino superior”, afirmou o presidente da instituição.
Neste ano, foram ofertadas 250 vagas. Destas, 20% são reservadas para alunos não-negros. Os estudantes devem ter, ao menos, 70% de presença em sala de aula e participar das reuniões e eventos promovidos pela associação. O estudante Johnatan Celso Andrade Pereira, de 20 anos, está empolgado com o curso. “É um curso sério, com pessoas bem preparadas para nos ensinar. Acredito que vou sair daqui preparado para enfrentar o vestibular”, disse.
Esta é a primeira vez que Pereira participa de um curso pré-vestibular e que tentará ingressar na universidade. “Não vale a pena fazer vestibular sem ter feito um cursinho. Despreparado, a gente não consegue nada”. Com a oportunidade do cursinho da ACNAP, Johnatan agora sonha cursar Engenharia Mecânica ou Administração. “O ensino superior é o modo de subir na vida. O conhecimento abre portas”, afirmou.
Já a estudante Janaína Valério, de 18 anos, pretende cursar Contabilidade. “Gosto de desafios, de inventar maneiras para fazer com que a empresa cresça. E a universidade significa conseguir o emprego dos meus sonhos”. Além do baixo investimento, comparado a outros cursinhos pré-vestibulares, Janaína salientou como atrativo do cursinho as atividades de conscientização. “Eu tenho pouquíssimo conhecimento sobre a cultura negra, então, será uma maneira de eu me inteirar sobre isso”.
As aulas serão ministradas, das 19 horas às 22h30, no Colégio Estadual Dezenove de Dezembro, no bairro Capão Raso, em Curitiba. Provisoriamente, as aulas estão acontecendo nas instalações de uma faculdade, no centro da cidade. O curso tem atividades previstas até dezembro, inclusive, com aulas de reforço aos sábados, a partir do mês de setembro.
Os recursos repassados, anualmente, pela Eletrosul são usados na aquisição de material didático e cobrem outros gastos com a manutenção do cursinho. “O apoio ao curso da ACNAP está inserido no Programa Pré-Vestibular Eletrosul, que objetiva oportunizar o ingresso da população jovem em situação de vulnerabilidade à educação superior e consequentemente ao mercado de trabalho. Assim, contribuímos para a transformação social, buscando a inclusão social de públicos historicamente discriminados”, destacou a analista de responsabilidade social da Eletrosul, Raquel Cartagena.
Mudança de realidade

De 2001 para cá, mais de 100 alunos, que passaram pelo cursinho, conseguiram ingressar na Universidade Federal do Paraná, sem contar as outras instituições. Para a coordenadora do cursinho, Vera Paixão, os alunos da ACNAP têm a oportunidade de transformar a sua realidade. “Os estudantes saem com uma cabeça bem diferente daquela quando entraram. Certamente estamos ajudando a mudar a realidade dessas pessoas”, afirmou.
O professor de literatura Célio Roberto Pereira de Oliveira, aluno da primeira turma ofertada e que hoje ministra aulas no cursinho, é exemplo disso. “O curso da ACNAP foi um divisor de águas. Sempre gostei de estudar, mas como trabalhava não tinha tempo de me empenhar. Com as aulas, consegui focar e ser aprovado”, contou.
Por ter conquistado a terceira colocação no curso de Letras da Unibrasil, Oliveira recebeu uma bolsa de estudos. Assim que recebeu seu diploma, em 2006, o professor começou a ministrar aulas no cursinho da ACNAP. “Foi justamente para devolver um pouco daquilo que recebi. Além disso, tem a questão da identificação, a trajetória desses alunos é bem parecida com a minha. É um espelho”, reforçou.
Além do cursinho, Célio trabalha no Instituto de Defesa dos Direitos Humanos - IDDEHA. Hoje, já conta com duas pós-graduações em seu currículo e três livros publicados. De acordo com ele, o curso da ACNAP está contribuindo com a ampliação da produção intelectual negra. “Hoje, vejo vários colegas desenvolvendo trabalhos interessantes. Está se formando uma classe média negra, que é capaz de trabalhar questões raciais, conscientização e outros debates do movimento negro”, disse.
O presidente da ACNAP também destaca a importância de inserir esse debate nas universidades. “É um espaço democrático, onde estamos conseguindo colocar essas questões, mas com muita dificuldade, pois ainda é difícil falar sobre igualdade nas unidades. Todo o trabalho que a ACNAP vem fazendo em conjunto com os outros movimentos negros e movimentos sociais têm o objetivo de ajudar a transformar esse país”, concluiu.
ACNAP

A ACNAP é uma entidade sem fins lucrativos, que tem como finalidade trabalhar e organizar programas de defesa dos direitos da população negra, pobre e marginalizada, para o exercício pleno da sua cidadania. Além do curso pré-vestibular para negros, a entidade mantém o Grupo Afro Cultural Ka Naombo e auxilia no processo de reconhecimento às comunidades quilombolas paranaenses, entre outras atividades. Em todo o estado, já foram identificadas cerca de 100 comunidades quilombolas, 36 delas reconhecidas pela Fundação Palmares.

(Tatiana Lima/Asimp/Eletrosul)

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