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Diante do olhar atônito de milhares de pessoas, duas meninas, de 12 e 13 anos, colegas de escola, brigam aos tapas na rua. Socos, puxões de cabelo, chutes. Uma delas acaba hospitalizada. A briga foi filmada pelo celular de um aluno e acabou sendo exibida esta semana na internet, num dos sites de notícia mais acessados do País.

Cenas como esta são cada vez mais comuns e trazem à tona uma pergunta que poucos conseguem responder: O que está acontecendo com as nossas crianças e adolescentes?

A agressividade exacerbada e a crueldade nem sempre explodem fora dos portões da escola: muitas vezes acontecem do lado de dentro e acabam em tragédias, como a que aconteceu na Escola de Realengo, no Rio de Janeiro, onde 12 crianças foram assassinadas a tiros no último dia 7 de abril. O autor dos disparos era Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, ex-aluno da escola. Ele deixou uma carta dizendo-se vítima de bullying, planejou o crime e se suicidou ao ser atingido por um policial. Dias depois, um menino de 13 anos, estudante de uma outra escola no mesmo bairro, tentou se matar. Ele teria sofrido agressões dos colegas por ser o mais inteligente da turma. A Coordenadoria Regional de Educação investiga se ele foi mais uma vítima de bullying.

Será que o bullying explica toda essa violência entre os jovens? Será que toda briga entre alunos é um tipo de bullying? E como  enfrentar esse tipo de agressão nas escolas?

Para responder perguntas como estas, o curso de Psicologia da Unopar vai dar um curso especial sobre bullying para professores e educadores de escolas públicas neste mês de julho.

Sofrimento contínuo

O termo bullying é recente, foi criado na última década, mas o comportamento que ele denomina é muito, muito antigo. O bullying se caracteriza por disputas de poder em que exista desigualdade. Por exemplo, um grupo ou um indivíduo mais poderoso cometendo qualquer ato de violência contra um mais fraco de maneira contínua. Assim, uma briga entre dois alunos durante um jogo de futebol, por exemplo, não pode ser entendida como bullying. A briga das alunas descrita acima também não é bullying. “O que define bem o bullying são agressões que provocam sofrimento contínuo e duradouro”, explica Paulo Guerra Soares, professor do curso de Psicologia da Unopar.

Estudioso do assunto, ele lamenta que muitos pais e professores ainda não estejam conscientizados do problema. “O bullying é real e acontece desde que existe escola. Tragédias como a de Realengo só fazem com que ele seja mais exposto, mas infelizmente também o torna mais banalizado. É verdade que raramente o bullying provoca tragédias como a de Realengo mas ele sempre tem conseqüências  muito ruins. As vítimas têm auto-estima baixa, o rendimento escolar delas cai e sobretudo, elas sofrem muito”, diz.

Agressores são crianças normais

Quem imagina que as crianças e adolescentes que praticam o bullying sofram de algum distúrbio se engana. Segundo o professor, elas são absolutamente normais. “Os jogos de poder, como colocar rótulos e apelidos depreciativos, são fenômenos normais do processo de amadurecimento. O bullying acontece quando essas relações de poder perdem o equilíbrio e começam a provocar sofrimento. O fato é que as crianças muitas vezes não percebem a gravidade do sofrimento que estão causando”, aponta Soares. “A família tem um papel muito importante mas a educação que se dá em casa não impede, obrigatoriamente, o bullying. Às vezes, crianças que são disciplinadas e obedientes em casa fazem parte de um grupo que pratica bullying na escola”, informa.

Soares reconhece que o bullying é muito difícil de evitar mas aposta na conscientização de alunos, professores e pais. “Sabe-se que não adianta só punir os agressores por que eles vão continuar com esse tipo de comportamento. É preciso uma ação conjunta entre pais e escola, conscientizando as crianças sobre o sofrimento e as conseqüências causadas pelo bullying. É preciso investir em campanhas educativas e informativas e é preciso capacitar educadores e pais para lidar com isso”.

Como reconhecer as vítimas

O professor Soares explica que é difícil detectar o bullying. As vítimas costumam ser intimidadas e ficam assustadas demais para denunciar as agressões. Para fazer isso elas precisam confiar em alguém que possa acreditar nelas e defendê-las. “Essas pessoas deveriam ser os pais. No entanto, muitas vezes os pais simplesmente mandam o filho revidar a agressão, ou não ligar. Isso só piora a situação”, ensina ele.

Existem também alguns comportamentos freqüentes em vítimas de bullying que podem servir como sinais de alerta.

- A criança não quer mais ir à escola

- O material escolar ou a roupa da criança aparecem danificados

- A criança começa a se sentir mal perto do horário de ir para a escola

- A criança pede para mudar de escola.

Mais informações e inscrições no site da Unopar

www.unopar.br

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