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Phoenix Finardi/Asimp/Unopar

Escolas são muito mais do que prédios, sua dimensão material. Cada uma tem identidade própria, fruto de uma história construída ao longo dos anos pela convivência de milhares de alunos, professores e funcionários. Fazendo parte, em algum momento de nossas vidas, do cotidiano de todos nós, as escolas tornam-se carregadas de lembranças e significados.
 
Estudo recente publicado pelas Universidades de Brasília e Federal de Santa Catarina mostra que 44% das escolas de educação básica brasileira apresentam infraestrutura elementar, apenas com água, sanitário, energia, esgoto e cozinha. Somente 0.6% das escolas têm infraestrutura avançada. Uma pesquisa vinculada ao Mestrado em Metodologias para o Ensino de Linguagens e suas Tecnologias, da Unopar, vai mostrar a relação entre essa infraestrutura ou arquitetura escolar e os processos de ensino e aprendizagem.
 
De acordo com o professor Fabio Luiz da Silva a pesquisa está dividida em duas etapas. A primeira, histórica, já está praticamente concluída. Foram relacionadas e pesquisadas cinco escolas estaduais que marcaram época em Londrina: o Colégio Hugo Simas, da década de 30, que foi o primeiro edifício público de alvenaria e também o primeiro grupo escolar público da cidade; o Colégio Marcelino Champagnat, de 1946; o Colégio Vicente Rijo, da década de 60, que na época era segunda maior escola do Estado; o Colégio Polivalente, da década de 70 e o Colégio Olympia Moraes Tormenta, construído entre os anos 80/90 em três estilos arquitetônicos diferentes.
 
“A construção de escolas no Brasil sempre foi marcada pelo improviso e pela péssima qualidade. Muitas até hoje são inauguradas antes de estarem prontas, como aconteceu com o Vicente Rijo e o Hugo Simas”, adianta o professor Silva. “Acho que essa falta de qualidade se deve à forma como se pensa a educação e como se fazem as obras públicas no Brasil, sempre com o menor preço e materiais de baixa qualidade. Isso demonstra a importância que se dá ao ensino no País”, opina.
 
Um dos exemplos lembrados pelo professor é o do Ginásio Paranaense, em Curitiba, construído em 1904 e que três anos depois precisou reformar todo o piso porque já estava podre. A rede de água e esgoto somente foi instalada em 1908.
Outra questão abordada no trabalho é a padronização da escola. “Existem projetos que vão sendo adaptados em cada município, o que desrespeita as peculiaridades de cada comunidade, que vão desde características climáticas até as culturais, e cria uma série de problemas e desconforto para as populações escolares”, alerta Silva.
 
A segunda fase da pesquisa será um trabalho de campo para levantar as condições destas e outras escolas públicas. No total serão avaliadas 9 escolas de Londrina, entre elas, as melhores colocadas no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), do Ministério da Educação. “Nosso objetivo agora é descobrir se existe uma relação entre os índices do IDEB e as condições de arquitetura escolar. Vamos avaliar a qualidade dos materiais utilizados, da iluminação, as cores, se a escola tem equipamentos adequados como bibliotecas, por exemplo. No final queremos entender o que essa arquitetura representa para a sociedade. Qual será a repercussão para a comunidade escolar do uso de arame farpado e câmeras de vídeo para vigilância, por exemplo? Ou de muros pichados? Ou das cores utilizadas na pintura?”, indaga Silva.  As visitas começam na semana que vem e envolvem sete professores e estagiários. Os resultados devem ser divulgados até o início de 2014.

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