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Política 06/02/2012  11h14

Orçamento estudantil

Universitários que fazem planejamento financeiro têm mais chances de ser profissionais bem sucedidos

 “Não há vento favorável para quem não sabe aonde quer chegar”. A frase do filósofo Sêneca é muito usada pelo professor Luiz Fernando da Silva, do curso de Administração da Unopar, para explicar aos alunos o porquê de eles precisarem fazer planejamento financeiro. “Uma das características do estudante universitário é o imediatismo mas todo sucesso na vida exige planejamento. Inclusive o sucesso profissional.  O mercado hoje busca especialização. A graduação é o “arroz com feijão”. O bom profissional precisa ter pós-graduação, participação em eventos, simpósios e seminários de atualização, curso de língua estrangeira. Tudo isso custa dinheiro. Além disso, a maioria dos formandos pensa em começar uma vida nova. Alguns vão sair de casa, outros vão casar, abrir o próprio negócio, comprar um carro. Tem aluno que ainda vai ter que pagar o financiamento estudantil. Tudo isso também exige dinheiro. Por isso é muito importante que o planejamento seja feito antes da formatura”, ensina o professor.

Segundo Luiz Fernando, que também coordena o Escritório de Negócios da Unopar, não é raro a graduação ser seguida da frustração. Alguns alunos se formam e não conseguem trabalhar na sua área, não conseguem abrir o próprio negócio, nem mesmo continuar a estudar. “Quando eles se justificam dizendo que não têm dinheiro eu sempre pondero que o dinheiro não é o problema e sim a falta de planejamento”, justifica.

Depois de anos viajando pelo Brasil dando cursos e palestras sobre o assunto, o professor Da Silva está convencido que não existe uma “fórmula mágica” para fazer orçamento. Cada pessoa tem suas prioridades, características e estilo de vida e segundo ele, o planejamento precisa respeitar tudo isso. “O segredo de um planejamento financeiro eficaz é que ele seja feito em cima de metas a curto, médio e longo prazo. A pessoa precisa saber o que quer da vida, aonde quer chegar, quais são seus objetivos. Só então ela vai poder calcular quanto isso vai lhe custar”, explica.

Depois de colocar no papel as metas e objetivos e calcular seus custos, é hora de começar o mais difícil: mudar os hábitos. “O brasileiro tem a cultura de consumir e não de poupar. Economizar, para nós, envolve uma noção de sacrifício, de sofrimento. É esse paradigma que a gente tem que mudar”, adverte. Para isso, ele propõe uma solução simples: “A gente precisa saber para que está economizando. Poupar não pode ser simplesmente um hábito, uma coisa vaga. Se eu deixo de gastar R$ 50 na balada de fim de semana, eu preciso saber que esse dinheiro vai pagar minha pós-graduação, ou minha participação num congresso, por exemplo”.

Uma boa dica é saber definir prioridades. Trocar de carro? Comprar um imóvel? Casar? Fazer uma especialização? “Muitas vezes não dá para fazer tudo ao mesmo tempo. Costumo dizer aos meus alunos que procurem terminar aquilo que já começaram pois eles já investiram tempo e dinheiro nisso. Portanto, para quem está estudando, o estudo tem que ser prioridade”, aconselha.

Outra dica do professor é ser realista na hora de fazer os cálculos.  “Se a mensalidade da universidade custa R$500  você não vai colocar esse valor no orçamento. Quem faz isso se engana a si mesmo. É preciso somar os gastos com transporte, com material de estudo, com viagens ocasionais, visitas técnicas e até o lanchinho. E ainda lembrar que sempre há imprevistos, portanto, o correto é trabalhar sempre com um valor maior, que inclua tudo isso”, pontua.

E é bom não esquecer de separar um dinheirinho para o lazer porque ninguém é de ferro. “O sucesso profissional depende também da vida social. Todo mundo precisa se divertir. A gente também trabalha para isso. No entanto, não dá para usar 50% do orçamento para o lazer, a não ser que o lazer seja a prioridade da sua vida”, alerta o professor. É aí que entra a disciplina: “Eu sugiro aos meus alunos que estão poupando que definam quanto eles vão gastar por mês com lazer e que não extrapolem essa quantia. É impressionante quantas festas “imprevistas” aparecem na vida dos universitários”, brinca Da Silva. “Quando estava estudando eu defini um dia da semana para sair. Funcionou”, conta.

Avesso a percentuais pré definidos de consumo, o professor usa uma “matemática filosófica”: o binômio necessidade x desejo. Na dúvida entre poupar para uma pós-graduação ou trocar o carro, o estudo é necessidade e o carro novo é desejo. “Se o carro for necessidade, não precisa ser um carro de R$ 20 mil; um de R$ 10 leva você aos mesmos lugares”, garante. O mesmo conceito vale na hora de comprar roupas, viajar de férias ou até ir a um cinema. “A necessidade sempre vai ser prioridade. O desejo não vai ser eliminado da nossa vida, só vai ser postergado para o momento certo”, conclui Da Silva. 

O professor Da Silva tem um blog que foi feito com ajuda de alunos e pode ser acessado: portalfinanceiro.blogspot.com.

(Phoenix Finardi)

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