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*Por Vânia da Silva

Desde o ensino fundamental, somos ensinados, nas aulas de Língua Portuguesa, que a língua materna possui uma ordem direta na estruturação sintática das orações. Quando não se enquadram nesta regra, a Gramática Normativa indica que, em muitos casos, devemos virgular para separar e indicar o deslocamento destes termos, este é o caso, por exemplo, dos adjuntos adverbiais.

No que se refere à ordem direta das orações, podemos dizer que equivalem à seguinte disposição de funções sintáticas:

SUJEITO+ VERBO+ COMPLEMENTO

 (verbal ou nominal)

De acordo com a Gramática normativa, a ordem direta dos adjuntos adverbiais é após o verbo ou seu complemento, pois eles agem como termos acessórios da oração e são também complementos. O adjunto adverbial é o termo da oração que tem por função intensificar ou modificar uma circunstância dada que é expressa pelo verbo, por um adjetivo ou um advérbio. Assim, em “Eu vou comer lasanha hoje, temos um adjunto adverbial de tempo que modifica o ato de comer lasanha, indicando quando tal ato ocorrerá e em “Os alunos escrevem muito bem”, não há no adjunto uma ideia de modificação, mas de intensificação do ato de escrita.

Podemos notar que não há o emprego da vírgula nas frases, pois temos a ordem sujeito+verbo+complemento, isto é, na primeira frase, por exemplo, temos o sujeito Eu, os verbos vou comer e os complementos “lasanha (objeto direto) e hoje (adjunto adverbial de tempo).

Mas, se colocarmos estas frases em uma ordem um pouco diferente, ou seja, se usarmos os adjuntos adverbiais no início da frase, a Gramática nos diz que as vírgulas devem ser usadas para mostrar que o termo está deslocado. Vejamos como ficaria a primeira sentença:

Hoje, eu vou comer lasanha.” (indica tempo)

Observemos mais algumas orações:

"Na sala, o jovem estudava para passar nos exames finais da faculdade.” (indica lugar)

Talvez, ela vá ao trabalho hoje.” (indica dúvida)

Pacientemente, ela ouviu os conselhos dos avôs.” (indica modo)

Com a sua permissão, ela sairá da escola mais cedo” (indica condição)

Estas regras nos deixam frequentemente às voltas com a pontuação em Língua Portuguesa e com muitas dúvidas ao redigir um texto. Tenha clara uma coisa, quando estiver escrevendo um texto mais formal, que exige o uso das normas gramaticais, procure utilizar esta regra, mas, em momentos que permitem o uso mais informal da linguagem, como na escrita de um bilhete para o namorado ou a mãe, por exemplo, ou ainda nas conversas em sites de relacionamentos e e-mails, podemos não aplicá-las com tamanha rigidez (essa omissão da vírgula é comum nos textos modernos). O segredo é, então, conseguir dosar as situações de maior ou menor formalidade ao decidir usar ou não as vírgulas.

*Vânia da Silva é Bacharel em Estudos da Linguagem, colaboradora no projeto Disque-gramática e professora de interpretação de textos do Curso Especial Pré-Vestibular da Universidade Estadual de Londrina. 

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