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Diversos senadores aproveitaram a sessão deliberativa remota de ontem (5) para ressaltar a importância da liberdade de imprensa e pedir respeito aos profissionais do setor. Eles criticaram as reiteradas ofensas verbais cometidas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, a órgãos e profissionais da imprensa. Também condenaram as recentes agressões físicas contra jornalistas e fotojornalistas que aconteceram durante manifestações de apoio ao governo.

O primeiro a abordar o tema foi o senador Otto Alencar (BA), líder do PSD na Casa. Ele disse que o presidente Jair Bolsonaro “agiu muito mal e agrediu a imprensa” ao mandar um repórter calar a boca.

— Quero ressaltar a minha posição contrária à do presidente da República quando ele manda a imprensa calar a boca. É um ato contra a liberdade de imprensa que eu não esperava de um presidente. A liberdade de imprensa é fundamental. "A imprensa é a vista da nação", dizia Ruy Barbosa. É ela que enxerga o que passa por perto e de longe. Eu quero registrar aqui o meu repúdio à fala do presidente da República quando ele fala que a imprensa deve calar-se aqui no Brasil — afirmou Otto. 

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) apoiou as palavras do colega da Bahia.

— É impossível viver numa democracia com tantas agressões, agressões diárias, a diversos setores que representam o que há de mais nobre na democracia, como, por exemplo, a liberdade de imprensa. Eu quero me solidarizar; acompanhando a opinião do líder Otto Alencar — disse o líder do PT no Senado.

A líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama (MA), afirmou que o presidente Bolsonaro mostrou “sua difícil relação como o Estado democrático de direito”.

— É muito claro para todos nós que o presidente da República está descompensado. Hoje, a forma como ele se dirigiu a jornalistas, mandando um jornalista calar a boca, é a demonstração clara da falta de respeito com a democracia, com as liberdades e com a imprensa livre. Eu quero deixar registrado a nossa indignação e o nosso reconhecimento de que, infelizmente, o presidente da República não ajuda naquilo que o presidente [do Senado] Davi [Alcolumbre] tem tentado fazer, que é a harmonia dos Poderes. Ao contrário. Longe de ser um estadista, Bolsonaro se apresenta como alguém totalmente desequilibrado, infelizmente, neste momento de pandemia no Brasil — avaliou a senadora.

Também líder partidário, o senador Weverton (PDT-MA) foi outro a prestar solidariedade à imprensa nacional.

— Um representante da imprensa, de forma muito covarde, recebe a ordem de calar a boca. Não se cala a boca da imprensa porque, na hora em que se calar a boca da imprensa, cala-se a boca da democracia, fecham-se as portas do futuro e da luz. Atacar profissionais da imprensa é atacar a história, é atacar a vida livre de um país que, hoje, está, de forma muito altiva, construído a sua própria história — disse Weverton ao recordar a luta pela democracia de pessoas como Neiva Moreira, Jackson Lago e Leonel Brizola durante a ditadura militar.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também criticou Bolsonaro. Ele repudiou os ataques à imprensa e cobrou do Congresso Nacional e de outras instituições “posição firme” contra o presidente da República. Para Humberto, se nada for feito, o país pode caminhar para um golpe de Estado.

— Não é possível que o Brasil continue sendo governado dessa maneira, com ameaças permanentes às liberdades conquistadas com muita luta neste país, ameaças à liberdade de imprensa, aos profissionais de imprensa, a todos aqueles que ousam discordar não do governo, mas das atitudes, das posições do presidente da República. É impossível o país, no momento em que se vive uma crise sanitária como essa, ainda ter que vivenciar esse processo de agressões permanentes contra a liberdade e contra a democracia — afirmou Humberto.

O líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (AP), também cobrou posicionamentos mais firmes dos parlamentares e do Congresso.

— Este Congresso Nacional não pode ser carpideira da democracia brasileira, não pode ficar calado e não pode ficar quieto frente às agressões cotidianas do inquilino do Palácio do Planalto à democracia. A imprensa livre é o terror de qualquer arbitrário de plantão, de qualquer ditador de plantão, mas que o senhor presidente saiba que acima dele está a Constituição e que ele é súdito das leis. Advirto e peço a todos os colegas parlamentares, de todas as posições políticas, que têm compromisso com o Estado de direito: paremos esse homem. Não sejamos nós, congressistas, líderes partidários, carpideiras da democracia brasileira — declarou Randolfe. 

Por sua vez, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), que é jornalista, foi sucinto ao condenar agressões verbais do presidente Bolsonaro a profissionais da imprensa.

— Eu sou um jornalista com quase 50 anos de profissão. A única e última vez em que eu ouvi alguém mandar um jornalista calar a boca foi com o general Newton Cruz, que eu não sei onde está ou em qual cruz está — pontuou Kajuru. 

O senador Lasier Martins (Podemos-RS) também criticou o “comportamento de um presidente da República com relação à liberdade de imprensa”. O senador Jean Paul Prates (PT-RN) reforçou as críticas e condenou as "agressões à democracia". A senadora Zenaide Maia (Pros-RN) acrescentou que, em sua opinião, Bolsonaro "não se comporta como um democrata" ao perseguir a "educação, a saúde e a comunicação".

Agência Senado

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