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No livro de Samuel, o Autor sagrado da Bíblia relata a história da prece de Ana, nestes termos: Ana estava profundamente deprimida porque Javé a havia feito estéril. Quando foi ao templo orou fervorosamente para que Deus lhe desse um filho e afastasse dela a humilhação. Sua prece foi tão intensa que o sacerdote Heli pensou que ela estivesse embriagada. Mas ela lhe disse: “Não, meu senhor, sou uma mulher atribulada, não bebi vinho nem bebida forte; derramo minha alma perante Javé. Não julgues a tua serva como uma vadia. É porque estou muito triste e aflita que tenho falado até agora” (I Sm 1,15-16).

Heli, então, a abençoou e, quando ela voltou para casa, a depressão a deixou e começou a comer, e o seu aspecto não era mais o mesmo (cf.: I Sm 1,18). Mais tarde, ela concebeu e deu à luz um filho, a quem chamou de Samuel.

O que mais me comove nesta história é que a depressão deixou Ana depois de sua oração, muito antes que Javé respondesse à sua prece, dando-lhe um filho. Foi a sua prece agonizante em que colocou todos os seus sentimentos de humilhação, rejeição e ressentimento diante de Deus, que fez com que a escuridão do seu íntimo deixasse de existir. Seu marido, Elcana, não tinha sido capaz de consolá-la, apesar de lhe ter dito: “Ana, por que choras e não te alimentas? Por que estás infeliz? Será que eu não valho para ti mais do que dez filhos?” (cf.: I Sm 1,8). Mas quando ela desabafou toda a amargura de sua alma (cf.: I Sm 1,10) com Deus e permitiu que Deus a tocasse, tornou-se uma nova mulher e entendeu que Deus ouviria a sua oração.

A importância da oração

A oração cura! Não somente a resposta à oração. Chegamos a conhecer o amor de Deus por nós e descobrimos como estamos seguros no seu abraço, quando desistimos da nossa concorrência com Deus e Lhe oferecemos todas as partes de nosso coração, não ocultando absolutamente nada. Quando soubermos de novo que Deus não nos rejeitou, e sim nos conserva perto do seu coração, poderemos novamente encontrar a alegria de viver, mesmo que Deus possa guiar nossa vida numa direção diferente de nossos desejos.

A oração é tão importante! Ela nos convida a viver em uma comunhão cada vez maior com Aquele que nos ama, mais do que qualquer ser humano jamais poderia fazê-lo. Depois de sua prece, Ana soube mais uma vez que era amada por Deus. Na oração ela redescobriu o seu eu verdadeiro. Sua felicidade não dependia mais de ter um filho, mas somente do amor de Deus, total e ilimitado. Assim, ela podia enxugar suas lágrimas, comer de novo e ver a sua depressão ir embora. Quando Deus, no seu amor, lhe deu um filho, ela ficou verdadeiramente agradecida. Porque a bondade de Deus, e não a sua própria, era a principal fonte de sua alegria.

Ó Deus, veja-me e deixe que eu veja.

Seu Irmão, Eduardo Rocha Quintella

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