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Ao retomar Catequeses, Francisco citou as muitas pessoas e famílias que vivem tempo de incerteza e vulnerabilidade por conta da pandemia

O Papa Francisco retomou, nesta quarta-feira, 5, as tradicionais Audiências Gerais, depois de algumas semanas de descanso de verão. Na catequese, realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico, o Pontífice abordou o tema “Curar o mundo”, reiterando que a pandemia da Covid-19 continua causando feridas profundas e desmascarando as vulnerabilidades de homens e mulheres. O Pontífice frisou que há muitos mortos, muitos doentes, em todos os continentes e que muitas pessoas e famílias vivem um tempo de incerteza, devido a problemas socioeconômicos, que atingem especialmente os mais pobres.

Por este motivo, Francisco exortou os católicos a manterem o olhar fixo firmemente em Jesus e com esta fé abraçar a esperança do Reino de Deus que o próprio Jesus traz. “Um Reino de cura e salvação que já está presente entre nós. Um Reino de justiça e paz que se manifesta através de obras de caridade, que por sua vez aumentam a esperança e fortalecem a fé”. Segundo o Santo Padre, na tradição cristã, fé, esperança e caridade são muito mais do que sentimentos ou atitudes. “São virtudes infundidas em nós pela graça do Espírito Santo: dons que nos curam e nos fazem curar, dons que nos abrem novos horizontes, até quando navegamos nas difíceis águas do nosso tempo”, frisou.

Um novo encontro com o Evangelho da fé, da esperança e do amor convida homens e mulheres a assumirem um espírito criativo e renovado, destacou o Papa. “Desta forma, poderemos transformar as raízes das nossas enfermidades físicas, espirituais e sociais. Poderemos curar profundamente as estruturas injustas e as práticas destrutivas que nos separam uns dos outros, ameaçando a família humana e o nosso planeta”, complementou.

Cura física e espiritual

Francisco lembrou que o ministério de Jesus oferece muitos exemplos de cura: “Quando cura os que sofrem de febre, de lepra, de paralisia; quando restitui a vista, a palavra ou a audição, na realidade cura não só um mal físico mas a pessoa inteira. Deste modo, também a restitui à comunidade, libertando-a do seu isolamento”. O Pontífice incentivou os católicos a pensarem na narração da cura do paralítico em Cafarnaum, lida no início da audiência. “Enquanto Jesus prega na entrada da casa, quatro homens trazem um amigo paralítico a Jesus; e impossibilitados de entrar, descobrem o telhado e descem o leito à sua frente. Jesus, vendo a sua fé, disse ao paralítico: ‘Filho, os seus pecados estão perdoados!’». E depois, como sinal visível, acrescentou: «Levante-se, pega a sua cama e vá para casa!»”. Este é, de acordo com o Papa, um maravilhoso exemplo de cura.

“A ação de Jesus é uma resposta direta à fé daquelas pessoas, à esperança que n’Ele depositam, ao amor que manifestam uns aos outros. E assim Jesus cura, mas não cura simplesmente a paralisia: perdoa os pecados, renova a vida do paralítico e dos seus amigos. Faz nascer de novo. Uma cura física e espiritual, fruto de um encontro pessoal e social. Imaginemos como esta amizade e a fé de todos os presentes naquela casa cresceram graças ao gesto de Jesus. O encontro de cura com Jesus!”.

Na sequência, o Santo Padre convidou os católicos a fazer a seguinte pergunta: “Como podemos ajudar a curar o nosso mundo hoje? Como discípulos do Senhor Jesus, médico das almas e dos corpos, somos chamados a continuar «a sua obra de cura e salvação» em sentido físico, social e espiritual”.

A Igreja não dá indicações sociopolíticas

Ainda que a Igreja administre a graça curativa de Cristo através dos Sacramentos, e embora preste serviços de saúde nos mais remotos cantos do planeta, o Pontífice afirmou que ela não é especialista em prevenção nem em tratamento da pandemia. “Ajuda os doentes, mas não é especialista. Também não dá indicações sociopolíticas específicas. Esta é a tarefa dos líderes políticos e sociais”, frisou. Francisco recordou que ao longo dos séculos, e à luz do Evangelho, a Igreja desenvolveu alguns princípios sociais fundamentais, princípios que podem ajudar a sociedade a ir em frente, a preparar o futuro de que necessita.

“Cito os principais, que estão intimamente ligados entre si: o princípio da dignidade da pessoa, o princípio do bem comum, o princípio da opção preferencial pelos pobres, o princípio do destino universal dos bens, o princípio da solidariedade, da subsidiariedade, o princípio do cuidado de nossa Casa comum. Estes princípios ajudam os líderes, os responsáveis pela sociedade, a levar adiante o crescimento e também, como neste caso de uma pandemia, a cura do tecido pessoal e social. Todos estes princípios expressam, de diferentes maneiras, as virtudes da fé, da esperança e do amor”.

Por fim, o Santo Padre convidou a todos, nas próximas semanas, a abordar juntos as questões prementes que a pandemia relevou, especialmente as doenças sociais, e fazer isso à luz do Evangelho, das virtudes teologais e dos princípios da doutrina social da Igreja. “Exploraremos o modo como a nossa tradição social católica pode ajudar a família humana a curar este mundo que sofre de doenças graves. Desejo refletir e trabalhar em conjunto, como seguidores de Jesus que cura, para construir um mundo melhor, cheio de esperança para as gerações futuras”, concluiu.

Canção Nova/ com Vatican News

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