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Participantes de evento na Câmara alertaram para o grande número de diagnósticos tardios de câncer de mama, enquanto sobram exames nas unidades de saúde

A cerimônia alusiva à campanha “Outubro Rosa 2019” de prevenção ao câncer de mama, realizada na sessão ordinária da terça-feira (15), na Câmara de Vereadores, serviu como um alerta às mulheres para a necessidade de cuidado e atenção com o próprio corpo. Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher do Legislativo e autora do requerimento de realização do evento, a vereadora Daniele Ziober (PP), chamou a atenção para as diferentes lutas que as mulheres enfrentam no dia a dia, levando-as muitas vezes e esquecerem-se do autocuidado.

“Temos que pensar em políticas públicas que deem mais atenção à prevenção, mas homens e mulheres também precisam estar atentos à importância de prevenir o câncer por meio de pequenos cuidados e hábitos saudáveis de vida, que nunca devem ser deixados para depois”, defendeu a vereadora. Da mesma forma, a coordenadora do Movimento Outubro Rosa, Célia Hauly, chamou a atenção para os casos de mulheres que chegam a trabalhar em campanhas de prevenção à doença, mas acabam por negligenciar sua saúde. “Muitas não fazem a própria mamografia”, lembrou.

Os efeitos desta negligência, segundo a coordenadora da Unidade de Pesquisa Clínica e diretora clínica do Hospital do Câncer de Londrina (HCL), Eliane Beraldi Carmelo refletem-se no alto índice de casos diagnosticados já em estado avançado. “Aproximadamente 40% dos diagnósticos de câncer chegam até nós em um estágio em que já não é possível uma alta resolutividade do tratamento”, explicou a diretora do HCL. Ainda de acordo com Eliane Carmelo, só este ano a instituição passou a atender 366 novos casos de câncer de mama. Atualmente, são 2,1 mil casos em acompanhamento, entre os quais está um homem.

Sobra de exames

Se por um lado é comum o início tardio do tratamento, por outro há uma oferta não utilizada de mamografias na rede municipal de saúde, exame capaz de detectar precocemente o câncer de mama. “Nos últimos anos tem sobrado vagas para o exame nas Unidades Básicas de Saúde”, revelou a enfermeira e coordenadora da Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde, Priscila Colmiran, que representou o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, na cerimônia.

Segundo a enfermeira, o ano de 2018 terminou com 1,1 mil vagas para exames não utilizadas. Este ano há 2,6 mil vagas sobrando. “Cabe à mulher a corresponsabilidade pelo diagnóstico e tratamento. Ela não precisa nem passar pelo médico para solicitar a mamografia nos postos de saúde. O corpo de enfermagem está habilitado a solicitar e até a avaliar o resultado”, ressaltou, lembrando que independentemente da idade, ao perceber alguma alteração no corpo, a mulher deve procurar o mais rápido possível o serviço de saúde.

A cerimônia realizada na Câmara foi presidida pelo vereador Pastor Gerson Araújo (PSDB), vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, e contou com a participação do vereador Felipe Prochet (PSD), membro da Comissão, na mesa de trabalhos; da secretária municipal de Políticas Públicas para Mulheres, Nádia Moura; e da psicóloga Adriane Hisnauer Cantone, que deu um depoimento sobre a própria experiência de enfrentamento e cura de um câncer de mama.

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