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Região de Londrina receberá mais 7.950 doses de Coronavac nesta quarta-feira. Reunião pública discutiu a sobrecarga na saúde pública

No dia em que Londrina atingiu a taxa recorde de 105% de ocupação nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) exclusivas para tratamento de covid-19 pelo Sistema Único de Saúde (SUS), os vereadores discutiram a sobrecarga na rede de saúde pública da cidade. O dado foi repassado pelo secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, durante a reunião pública remota realizada ontem (1º) pela Comissão de Seguridade Social da Câmara Municipal de Londrina (CML).

No decorrer do encontro, a diretora da 17ª Regional de Saúde, Maria Lúcia Silva Lopes, anunciou que nesta terça-feira (2) o órgão receberá mais 7.950 doses de Coronavac adquiridas pelo Ministério da Saúde para vacinação de idosos com mais de 90 anos e profissionais de saúde. O evento foi transmitido ao vivo e está disponível em vídeo nos canais do Legislativo no Facebook (facebook.com/camaralondrina) e Youtube (youtube.com/camaralondrina).

Também participaram do debate, vereadores, diretores de hospitais da cidade e representantes do Conselho Municipal de Saúde, Conselho Regional de Medicina e Conselho Regional de Secretários Municipais de Saúde. Ao final do encontro, a vereadora Lenir de Assis (PT), presidente da Comissão de Seguridade Social da CML, defendeu, entre outras medidas, equipar e ampliar as equipes que fiscalizam o cumprimento do decreto estadual nº 6.983/2021 que restringiu a circulação de pessoas, criar campanhas educativas para esclarecer a população a respeito da doença e da vacinação e cobrar rapidez do Ministério da Saúde para comprar e repassar aos municípios as vacinas contra a covid-19. “Esperamos que possamos unir forças para conter a disseminação do vírus e, claro, uma força-tarefa para agilizar para que as vacinas cheguem o mais breve possível a toda a população pelo SUS, de forma gratuita”, defendeu.

Questionamentos

Durante a reunião pública, a vereadora Lenir de Assis indagou os participantes sobre o cenário que a cidade deve enfrentar após o dia 8 de março, quando se encerra a vigência decreto estadual. O diretor-geral do Hospital da Zona Norte, Geraldo Junior, e o superintendente da Santa Casa de Londrina, Fahd Haddad, disseram que é preciso estender o período de restrição. “Se permanecer desta forma isso precisa ser prorrogado. Até porque os efeitos de uma restrição demoram 15 dias para ter um resultado positivo, no mínimo”, defendeu Junior. “Vai continuar da mesma forma, infelizmente, enquanto não houver conscientização das pessoas sobre os riscos”, afirmou Haddad.

A vereadora Mara Boca Aberta (Pros) questionou sobre a dificuldade dos pacientes, principalmente do Hospital Universitário (HU) de Londrina, de acessar os 40 leitos contratados pelo município no Hospital do Coração (HC), que é particular. Felippe Machado, secretário municipal de Saúde, afirmou que a regulação das vagas é feita pela Central de Leitos do município e que a transferência é responsabilidade do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu), que também realiza atendimentos clínicos. Para agilizar o transporte, o HU contratou ambulância particular, conforme relatou a superintendente da instituição, Vivian Feijó. Segundo ela, no momento da reunião pública, havia 43 pacientes aguardando vaga em UTI, sendo 22 deles no pronto-socorro, e criticou a burocracia para transferir pacientes para o Hospital do Coração. “Os leitos [do HC] são imprescindíveis na questão do manejo dos pacientes. O HU conta com esses leitos hoje, mas existe uma atitude burocrática. (...) Primeiramente, o médico tem que cadastrar pacientes na central. A partir do momento em que ele é cadastrado, precisa de uma avaliação da central. Se houver alguma pendência, há uma negativa e esse sistema cai. Enquanto eu demoro de 8h a 12 horas, às vezes 14h para tirar um paciente do hospital, (...) chegam 15, 20, 30 pacientes. No sábado chegaram 32. No domingo, 38. Eu quero dizer aos senhores que a conta não fecha”, argumentou.

Nantes (PP) e Mara Boca Aberta perguntaram aos participantes da reunião pública sobre a quantidade de funcionários afastados nos hospitais, por serem de grupo de risco ou por doenças, e se existe previsão de contratação emergencial. No Hospital Universitário, por exemplo, a superintendente Vivian Feijó afirmou que há 69 profissionais afastados por suspeita de covid-19 ou contaminados e relatou a morte de duas enfermeiras nas últimas semanas. Segundo ela, o município cedeu 28 funcionários, mas ainda há um déficit de 450 vagas na instituição. Os diretores dos hospitais da Zona Sul, Zona Norte e Santa Casa também relataram problemas semelhantes.

A vereadora Lu Oliveira (PL) indagou sobre o tratamento precoce contra a covid-19. O secretário municipal de saúde e a representante do Conselho Regional de Medicina, Lisete Rosa e Silva Benzoni, explicaram que os médicos têm autonomia para escolher o medicamento mais adequado.

Leitos

Durante a reunião pública, o secretário de Saúde de Londrina, Felippe Machado, apresentou dados sobre a covid-19 na cidade. Segundo ele, nesta segunda-feira (1º), Londrina bateu recorde de 105% de ocupação em leitos de UTI para tratamento de covid-19 no SUS. “O maior número de internação até o momento”, resumiu. Em relação à região norte do Paraná, dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) de domingo (28/02) mostravam 93% de ocupação nas UTIs de covid-19, com 67 pacientes aguardando vagas em UTIs.

No Hospital Universitário de Londrina, a diretora-superintendente Vivian Feijó, informou que a média de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), até fevereiro de 2021, estava em 79%. “Há duas semanas estamos com média de 100% a 120% dos leitos de enfermaria e sempre 100% nos leitos de UTI”, relatou. Na última semana, os hospitais da Zona Norte (HZN) e Zona Sul (HZS) passaram a ser referência em atendimento à covid-19, com a abertura de 50 leitos exclusivos para tratamento da doença. Os diretores destas instituições relataram, durante a reunião pública, que as vagas foram ocupadas em poucas horas, o que dificulta a transferência de pacientes de outras instituições. O diretor técnico do Hospital Evangélico de Londrina, Rodrigo Pereira Bettega, informou que, no momento da reunião pública, havia 17 pacientes com covid-19 no pronto-socorro aguardando transferência para os hospitais de referência. Já na Santa Casa de Londrina estavam ocupados 94% dos leitos de UTI para atendimento de covid-19 e 74% das vagas nas enfermarias, segundo o superintendente Fahd Haddad.

Vacinação

Conforma dados da Secretaria Municipal de Saúde, foram registradas 25.111 aplicações em primeira dose e 7.728 aplicações em segunda dose da vacina contra a covid-19 em Londrina. Segundo Machado, há vacinas disponíveis para imunizar idosos e profissionais de saúde até quarta-feira. A diretora da 17ª Regional de Saúde, Maria Lúcia Silva Lopes relatou que, até o momento, 51 mil doses de vacinas contra a covid-19 foram repassadas aos municípios da região de Londrina, que somam 700 mil pessoas. “Estamos ainda num ritmo bastante lento. Ele tem sido regular, porém lento”. (...) Não temos problemas em vacinar. Chegando a vacina, o restante, nossos trabalhadores darão conta de tudo sem dificuldades”, garantiu.

Em Londrina, a Secretaria Municipal de Saúde informou que, desde março do ano passado quando começou a pandemia, foram registrados 37.673 casos de covid-19 e 697 mortes, sendo 588 idosos.

Ascom/CML

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