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Até agora, o Município já é protagonista em testagem para a doença, entre as maiores cidades do Paraná, inclusive Curitiba

O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, e o secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, anunciaram, na noite de domingo (26), que o Município vai dobrar a capacidade de testagem para a Covid-19, com a realização de 200 teste por dia, ou seja, 6 mil por mês, já a partir de ontem (27). Os reagentes para os testes foram adquiridos pela Prefeitura e somente numa parceria com o Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), serão feitos 4 mil testes no mês.

Além disso, chegaram, em Londrina, outros 2.620 testes rápidos enviados pelo Governo Federal e a prefeitura também firmou um convênio com os laboratórios particulares da cidade, os quais farão a testagem em 150 pacientes por dia. Também serão testados outros 300 pacientes por semana, no Laboratório Central (Lacen), em Curitiba.

Com isso, segundo o prefeito, será possível ampliar muito a capacidade de testagem da cidade, o que permitirá ter um panorama mais real da doença no município, já que em poucas semanas será possível testar pelo menos 10% da população. “A partir de agora vamos poder testar todas as pessoas com sintomas respiratórios, não apenas as graves, e os profissionais de saúde”, contou.

Os dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) apontam como foi a testagem até agora, em comparação com as maiores cidades do Paraná e com o próprio Estado. Até ontem (26), Londrina se destacou com relação aos testes, entre os maiores municípios do Paraná, inclusive Curitiba. Isso porque foram testadas 1.671 pessoas por milhão de habitantes, seguida por Cascavel, que computa 1.072 pessoas testadas até ontem, na sequência está Curitiba, que testou 907 pacientes e depois Maringá  com 614 testes realizados, sendo todos por milhão de habitantes.  O Estado do Paraná tem 824 testes feitos, também considerando-se por milhão de habitantes.

“Londrina é a cidade de porte grande do Estado que mais está testando. Seguimos todas as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS), dentro de nossas possibilidades. Estamos testando mais do que todas as outras cidades grandes do Paraná e mais do que o dobro de todo o estado do Paraná”, enfatizou o prefeito.

O secretário Felippe Machado disse que os testes têm muita importância e que com a sua ampliação a cidade terá um cenário ainda mais real da circulação do vírus. “Se analisarmos o Brasil em relação a outros países, temos um baixo número de testes por milhão de habitantes, mas dentro da nossa característica, Londrina se destaca por estar à frente das outras cidades. Sabendo desta importância, vamos mais do que dobrar a nossa capacidade de testagem em nossa cidade, a partir de hoje”, afirmou.

Comportamento da pandemia

O secretário de Saúde também fez uma apresentação técnica e detalhada, por meio de gráficos e dados epidemiológicos, do comportamento da pandemia no município nos últimos 48 dias, ou seja, desde quando ela iniciou na cidade, em 9 de março, data em que o município teve o primeiro caso suspeito, que depois se confirmou no dia 16 do mesmo mês, até agora. Os dados foram feitos em parceria com a UEL, que realizou projeções matemáticas baseadas nos dados epidemiológicos.

Estas informações vêm embasando todas as decisões do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COESP), que estuda diariamente o comportamento da pandemia no mundo e na cidade. O grupo conta com representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, 17ª Regional de Saúde, dos hospitais do Coração, Universitário, Santa Casa, Evangélico, Dr. Eulalino Ignácio De Andrade (Zona Sul), Dr. Anísio Figueiredo (Zona Norte), do Câncer, Araucária, Conselhos Federal e Regional de Medicina, Unimed, Cismepar e Associação Médica, os quais contam com médicos especialistas em saúde pública, epidemiologia, infectologia, virologia, entre outras especialidades.

Os primeiros gráficos mostram a curva dos casos positivos, com relação as 96 pessoas que testaram positivo para a Covid-19 até a data de ontem.  Os casos começaram a ser positivados a partir do dia 16 de março, com o resultado dos laboratórios.

Do dia 23 de marco ao dia 19 de abril, o município adotou o isolamento social ampliado, quando as atividades econômicas foram interrompidas. Os dados apontam que até o dia 24 de março, a cidade vinha com um crescimento exponencial de casos, chegando a 10  com início de sintomas em um dia, em 19 de março, que depois se confirmaram positivos. Após o fechamento do comércio de outras atividades, como as industriais, a cidade reduziu, de forma considerável, a curva epidemiológica, tendo uma média de dois casos por dia, e diversos dias sem computar nenhum caso de início de sintomas. “Isso demonstra quão importantes foram os 30 dias de isolamento social”, frisou Machado.

A SMS também apresentou um mapa dos casos positivos, que demonstram que a área de abrangência da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Guanabara, na região da Gleba Palhano, concentra o maior número de casos confirmados, seguida pela região central e algumas ramificações para o lado da zona sul e norte.

 “O que podemos afirmar, neste momento, é que a grande área de circulação, dos nossos 96 casos confirmados até ontem, é das regiões da Gleba Palhano e centro, entretanto, estes casos não têm relação direta entre os infectados, ou seja, não quer dizer que alguém da região se infectou e contaminou os demais, pois cada caso tem uma história. Parte dessas histórias foi do início da pandemia, de pessoas que viajaram e acabaram voltando infectadas. Na periferia o vírus chegou mais pela transmissão comunitária, quando a pessoa não sabe como teve contato com o vírus”, explicou o secretário.

Com relação ao perfil das 96 pessoas infectadas pelo coronavírus, Londrina registra 46 pessoas do sexo feminino e 50 do sexo masculino. A faixa etária dos casos confirmados é de duas crianças com idade entre 0 e 9 anos, três pessoas de 10 a 19 anos, 29 de 20 a 39 anos, e a maior faixa etária está entre pessoas com 40 a 59 anos, onde há 39 pacientes, e 23 com mais de 60 anos.

Destas 96 pessoas, 43 precisaram ser internadas em hospitais e 51 se recuperaram em casa. Das que foram internadas, 18 necessitaram de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 25 ficaram em enfermaria. A taxa de permanência média destes pacientes nos hospitais foi de 15 dias.

Das pessoas que necessitaram de internação em algum momento, seis eram jovens com idade entre 20 e 39 anos; 19 com 40 a 59 anos, e 18 acima de 60 anos. As internações na rede hospitalar se deram da seguinte forma até agora: 18 pacientes ficaram internados no sistema privado, 14 usaram as estruturas no sistema público, em especial do HU, e 11 dos hospitais filantrópicos.

Com relação aos óbitos registrados até ontem, Londrina registra 13 mortes por Covid-19, sendo oito em pessoas do sexo masculino (62% dos óbitos) e cinco do sexo feminino (38%). Os dados também apontam o perfil das mortes. Por faixa etária, um dos óbitos foi de uma pessoa na faixa etária de 20 a 39 anos, dois em pessoas entre 40 e 59 anos, e 10 em indivíduos com mais de 60 anos.

Além disso, todos os pacientes que morreram tinham comorbidades associadas, alguns com até mais de uma. Dos 13 óbitos, sete pessoas tinham diabetes, duas possuíam doenças cardiovasculares, uma insuficiência renal, duas doenças pulmonares obstrutivas crônicas, e uma hipertensão arterial severa. O índice de mortalidade em casos graves no Brasil e no mundo é de 22%. Em Londrina o índice está em 13%.

A cidade também apresenta a relação do coeficiente dos casos confirmados por milhão de habitantes, um importante indicador de monitoramento que traz o cenário da cidade em relação às medidas a serem tomadas. A OMS aponta que o município que estiver com 50% da incidência acima da taxa nacional, que hoje no Brasil é de 278 casos por milhão de habitantes, está em estado de emergência. Entre 50% e a incidência nacional está em estado de atenção, e abaixo da incidência nacional, em estado de alerta.

Todos os municípios do Paraná e o Estado estão abaixo da incidência nacional. Londrina está com 168,50 casos confirmados por milhão de habitantes, que é um cenário relativamente confortável com relação ao Brasil. “Isso indica que as medidas tomadas estão dando resultado. Por isso, caso necessário, voltaremos com ações mais severas de isolamento social”, indicou Machado.

O levantamento também aponta que o índice de cura dos casos confirmados na cidade está em 67%. Segundo o secretário, muitos destes casos nem precisaram de internação hospitalar e outros já tiveram alta, inclusive de pessoas que estavam em UTIs. De acordo com os dados, até ontem sete casos de pessoas com Covid-19 estavam cumprindo isolamento social, monitoradas pela vigilância em saúde do município, seis estavam em enfermaria, sob cuidados médicos, e três em UTIs.

Taxa de ocupação hospitalar

Até a última sexta-feira (24), a cidade estava com 48% dos leitos de enfermaria ocupados e 52% livres. A UTI adulto estava 65% ocupada e 35% livre, a UTI neo natal e pediátrica computava 63% de ocupação e 37% dos leitos livres. No cenário geral, a cidade tinha, até esta data, uma taxa de 49% de capacidade de atendimento hospitalar livre e 51% ocupada.

Um dos gráficos apresentados demonstra que Londrina realizou ações muito assertivas no combate à pandemia. “Se não tivéssemos tomado as medidas necessárias, pelas nossas projeções Londrina provavelmente teria chegado, no dia 18 de abril, com 3.934 casos confirmados de Covid-19, e ao contrário disso chegamos nesta data com 93 casos, ou seja, um número infinitamente menor. Isso foi possível porque, com isolamento social, diminuímos o R0 da doença, que começou com 1.44%, ou seja, cada pessoa contaminada transmitia para quase uma pessoa e meia. Com as medidas, o R0 foi para 1,04%, passando a transmissão para uma pessoa só. Parece que não é nada, mas representa, em número de casos, mais de 3.800 casos que tivemos a menos na cidade”, apontou o secretário da pasta.

Além disso, as projeções matemáticas demonstram que, sem as medidas não farmacológicas, no dia 3 de maio, a cidade chegaria a 26.507 casos confirmados.  Segundo Machado, a partir da abertura do comércio, o R0 deve aumentar um pouco. “A nossa projeção, para o dia 3 de maio, passa a ser de 195 casos, ou seja, os que já temos e mais 99 casos”, contou.

O secretário de Saúde apontou ainda que, historicamente, em Londrina, entre a segunda quinzena de maio e a segunda semana de junho, há um aumento natural de casos de doenças respiratórias nos hospitais da cidade, em especial em crianças, contudo, é possível haver uma redução destes casos este ano, já que as crianças não estão indo para as escolas, ficando menos suscetíveis a este tipo de doença.

O prefeito Marcelo Belinati reiterou também que os países que tiveram os surtos da Covid-19 antes do Brasil, chegaram no pico com 80 a 100 dias de pandemia e que Londrina ainda não chegou neste ponto. “Por isso a importância de manter as medidas preventivas, com o uso de máscaras de tecido, a higiene das mãos, o distanciamento social, e a desinfecção de superfícies em lugares públicos e de grande circulação de pessoas. A taxa de casos vai continuar subindo, mas precisamos que ela suba de forma controlada, é o que estamos conseguindo fazer até agora. Os dados apresentados demonstram que a cidade está de parabéns, pois conseguimos achatar a curva de contágio até agora, e Londrina tem sido protagonista para o Brasil e para outros lugares do mundo”, disse.

Estrutura

Londrina tem, por 10 mil habitantes, mais leitos de UTI do que a Alemanha, os Estados Unidos da América e do que o Brasil todo. O município tem hoje 6.16 leitos de UTI por 10 mil habitantes. Se computar os leitos de toda a região, que tem mais de 1 milhão habitantes, o índice cai pouco,  para 3.63. A Alemanha, que é o padrão ouro da Europa, tem uma taxa de 3.02 leitos por 10 mil habitantes, Nova York tem 1.5, França 1,05, e Itália 0.83.

“Isso demonstra que o Sistema Único de Saúde (SUS) pode não ser o ideal, mas nenhum outro país do mundo tem um sistema de saúde universal, ou seja, que atende todas as pessoas. O problema é que no Brasil os leitos são mal distribuídos. Roraima, por exemplo, tem 50 leitos de UTI, e Manaus também tem poucos”, disse Marcelo Belinati.

Por fim, o prefeito finalizou dizendo que a Prefeitura precisa da ajuda de todos os cidadãos na adesão às medidas de prevenção já anunciadas, para que a cidade continue apresentando bom desempenho na luta contra a doença. “Quando flexibilizamos as medidas de isolamento social, com a reabertura do comércio e da indústria, por exemplo, não significa que a pandemia esteja acabando, ao contrário, ela esta apenas começando. Por isso, a orientação de ficar em casa permanece, principalmente para as pessoas dos grupos de risco e também para os que puderem”, reiterou.

Atendimentos

Uma das primeiras medidas tomadas pela prefeitura de Londrina, ainda em março, foi a destinação de locais para atender exclusivamente pacientes com sintomas de doenças respiratórias e suspeita de coronavírus. Seis Unidades Básicas de Saúde (UBS) passaram a atender exclusivamente estes casos: Guanabara (centro), Bandeirantes (região oeste), Ouro Branco (sul), Chefe Newton e Maria Cecília (norte), e Vila Ricardo (leste). Todas as UBSs de Londrina mantiveram o horário padrão de funcionamento, das 7 às 19 horas.

A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Francisco de Arruda Leite, localizada no Jardim Sabará, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, também passou a receber apenas casos sintomáticos de coronavírus. Nesta UPA, foi implementado um Centro de Triagem, para anamnese e avaliação dos usuários que apresentarem sintomas respiratórios.

Recursos humanos

A prefeitura de Londrina também tem ampliado o número de profissionais de saúde, principalmente para atender a demanda causada pela Covid-19. A Secretaria de Saúde já contratou cerca de 500 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem.

Ferramentas de orientação

A prefeitura disponibilizou ainda diversas ferramentas para auxiliar a comunidade a se informar corretamente sobre o coronavírus, como a implantação do Disque-Coronavírus, por meio do número 0800-400-1234. Em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a equipe do 0800 atende ligações todos os dias da semana, para sanar dúvidas da população referentes ao novo coronavírus. O horário do serviço é de segunda a sexta-feira, das 7 às 22 horas. Aos sábados e domingos, o funcionamento é das 7 às 17 horas. As chamadas são gratuitas e podem ser feitas de telefone fixo e celular.

A cidade de Londrina também possui um chat inteligente sobre o coronavírus, o Corona AI, disponibilizado por uma parceria entre Prefeitura e UEL. Por meio do sistema automático de mensagens instantâneas, qualquer pessoa pode tirar dúvidas e obter informações, seguras e confiáveis, referentes ao coronavírus. A plataforma eletrônica atende 24 horas pela internet no site https://coronaai.uel.br/.

O município também passou a disponibilizar o Portal Coronavírus, que reúne diversas informações importantes relacionadas ao vírus, como locais de referência para a Covid-19, atendimento às pessoas em situação de rua, sobre o Disque-coronavírus, benefícios como o Auxilio Emergencial ao Cidadão, entre outras informações úteis. A página está alocada dentro do Portal da Prefeitura de Londrina, https://www.londrina.pr.gov.br/coronavirus-londrina.

NCPML

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