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Tecnologista do INCA avalia que ser diagnosticado com a doença não é o fim e que família e amigos são fundamentais para vencê-la

Segundo estimativas do Instituo Nacional do Câncer (INCA), atualmente o mundo tem 7,6 milhões de pessoas vítimas da doença. Deste universo, 4 milhões têm entre 30 e 69 anos. Se medidas preventivas não forem tomadas, a previsão é que em 2025 haverá 6 milhões de mortes prematuras anuais em decorrência do câncer.

Duas datas lembram da importância da atenção preventiva que devemos dar à doença: na terça-feira, 4, foi celebrado o Dia Mundial do Câncer, enquanto na quarta-feira, 5, celebrou-se o Dia Nacional da Mamografia.

O câncer de mama, por exemplo, é uma doença que evolui de diversas maneiras: alguns mais rapidamente e outros tardiamente. É também o segundo câncer que mais ataca as mulheres no Brasil ― perde apenas para o câncer de pele. O INCA estima que em 2020 haverá 66.280 novos casos da doença. Uma das razões pelas quais a doença é tão agressiva é o estilo de vida adotado pelas pessoas.

“O principal fator de risco do câncer de mama ainda é o envelhecimento”, explica Marcili Santos, tecnologista da INCA. “E como população brasileira está envelhecendo, esses casos aumentam. Além disto, o sedentarismo, a falta de atividades físicas e as opções que as mulheres fazem por terem filhos mais tarde ou menos filhos são fatores de risco para o câncer de mama”, reitera.

Tratamento

Atualmente, o conhecimento arregimentado pela comunidade científica em se tratando do combate ao câncer é grande. A Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer determina que exista o cuidado integral ao usuário em estabelecimentos de saúde habilitados como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) ou Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon).

Segundo o INCA, atualmente estão disponíveis 317 unidades e centros que estão habilitados a realizar o tratamento do câncer. “Estes centros estão espalhados em todo o Brasil”, lembra Marcili.

Câncer de mama nos homens

Ainda que ínfimo ― foram 203 mortes até 2017, de acordo com dados recentes do INCA ― o câncer de mama também pode atingir os homens. A maneira de se prevenir mais recomendada, segundo a especialista, é o autoconhecimento.

“Trata-se de um tumor muito raro”, ressalta Marcili. “É preciso que os homens se observem, tenham o cuidado de frequentar o médico, porque é um tumor mais e os fatores de risco não são os mesmos [que o das mulheres], então é recomendável que se observe e tenha este cuidado”, acrescenta.

O outro lado

O sofrimento que o câncer impõe às pessoas é imensurável. Só quem passa tem uma noção da dor e do desafio que é enfrentá-la. Há, porém, além dos médicos, profissionais que estão ali, no dia a dia, e que precisam motivar, e se motivarem, a seguir adiante e não deixar os pacientes se abaterem.

Eliane dos Santos Francelino, que há 11 anos trabalha no Grupo de Assistência ao Câncer (GAAC) e que há cinco anos é coordenador de enfermagem, afirma que é difícil separar o profissionalismo do lado emocional na sua profissão. “Na oncologia, os pacientes têm um contato muito próximo e é inevitável para nós que ele não seja só o paciente tal que veio se tratar e foi embora”, diz. “Como eles estão sempre conosco, partilhamos das histórias, das angústias e dos medos. Embora nossa postura seja profissional, não tem como não ficar triste quando um paciente recidiva [quando a doença reaparece], ficar apreensivo quando o tratamento não responde e até mesmo chorar quando o paciente vai a óbito”, assegura.

Eliane já passou por momentos em que não conseguiu conter as lágrimas diante da perda de um paciente. “Em uma situação de óbito já aconteceu, por exemplo, de me retirar por alguns minutos porque foi difícil conter as lágrimas. Em seguida voltei para realizar o que precisava ser feito”, lamenta. “Mas também tem a parte alegre em ver o paciente ter alta do tratamento. É uma satisfação imensa”, lembra.

Não é uma sentença

Quando o diagnóstico é câncer, o paciente, segundo Eliane, tende a pensar que se trata do fim. Mas não é bem assim. “Nossa maior dificuldade é desmistificar a doença”, detalha a enfermeira. “Muitos encaram o câncer como uma sentença, e na verdade não é. Na oncologia pediátrica que é a minha vivência é um pouco mais fácil pois a criança não tem a mesma visão que o adulto. A criança sofre por causa de um procedimento doloroso, por ter que ficar internada mas conseguimos com muitas estratégias que a maioria delas estejam sempre com um sorriso no rosto”.

A presença da família durante o tratamento, segundo Eliane, é fundamental para que o paciente vença a doença. “Isso tanto no adulto quanto na criança”, destaca.

Além disto, a enfermeira discorda de médicos que dizem atrapalhar a presença de acompanhantes no tratamento da doença. “Aprendi com o tempo que eu posso ser a melhor profissional mas eu não sou o amor da vida daquele paciente. Não é comigo que ele gostaria de dividir esse momento muitas vezes de dor. Meu vínculo com ele é profissional”, pondera.

Resiliência e fé contra o câncer

Alex Ferreira da Silva notou um caroço em seu pescoço. Por um tempo não deu bola para o tal caroço. Mas, semanas depois, notou que ele crescera. Passou a buscar informações na internet quando, por fim, teve certeza: estava com câncer.

“Foi difícil até conseguir uma vaga pelo SUS”, lembra. “Mas, assim que consegui, e o diagnóstico formal foi realizado, iniciaram o tratamento. O ciclo para uma nova avaliação seria de seis meses, só assim saberíamos se a doença voltaria ou não”.

Felizmente a doença cessou. “Em 16 de dezembro de 2016, tive alta para seguir adiante com a minha vida. Mas permaneço sendo monitorado”.

Alex lembra ainda que, à época, seu tratamento foi ótimo, mesmo sendo um paciente da rede pública. “Foi tudo perfeito. Mesmo sendo do SUS, o meu tratamento tinha a mesma qualidade dos que eram atendidos de forma particular. Eles sabiam como lidar conosco, foi muito bom”, avalia.

O início da doença, porém, foi o mais difícil para Alex. “O que me ajudou muito foi observar que havia outros pacientes em um estado ainda mais delicado que o meu. Às vezes somos egoístas até no sofrimento”, reflete. “Você tem que aceitar o tratamento e ter muita fé para vencer a doença. O início é o pior momento, porque você pouco sabe da doença”, ensina.

Por fim, Alex se lembra de uma conversa que teve com uma enfermeira que lhe disse: quem tem fé parece ter mais força na hora de enfrentar a doença. “Ela me disse: ‘percebi que quem tem uma religião, quando entra aqui aceita o tratamento, vence e sai. Os que não têm, parecem sofrer muito mais’. Foram palavras dela. A importância do exercício da religião durante o tratamento é muito importante”, finaliza.

(Thiago Coutinho/Canção Nova)

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