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“Foi um dos encontros mais importantes que a Câmara de Vereadores já promoveu e mostrou a necessidade de uma discussão permanente, sistemática e setorizada para um tema tão relevante”, afirmou a vereadora Elza Correia (PMDB), ao avaliar a audiência pública realizada no último sábado (22/11) para discutir o genocídio da juventude negra em Londrina e no Brasil. O evento promovido pela Câmara de Vereadores, por meio do gabinete da vereadora e pelo Ministério Público com a participação do Grupo de Trabalho de Combate ao Racismo liderado pelo promotor Paulo Tavares, contou com a participação de representantes dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, conselhos municipais e grupos de promoção da igualdade racial.

Segundo Elza Correira, os dados chocantes da realidade local e nacional sobre a morte violenta de jovens negros e pardos sensibilizou autoridades e ativistas, que decidiram por setorizar a discussão sobre o tema para desenvolver ações de combate às causas da violência. “Vamos trabalhar com os órgãos de segurança para discutirmos a abordagem policial a juventude negra, assim como debater o tema com representantes da sociedade organizada, nas escolas e sindicatos. É preciso trabalhar políticas públicas para a juventude negra, que incluam a qualificação para o trabalho, a escolaridade, a habitação e a saúde. Os dados nos mostraram que nascer negro no Brasil é uma situação de risco”, disse a vereadora.

Desigualdade e mortes – Presente ao evento, a representante da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção de Igualdade Racial do Governo Federal (SEPPIR), Dalila Fernandes de Negreiros, apresentou estudo demonstrando as diferentes faces da desigualdade que atinge a juventude negra. De acordo com Negreiros, dados fornecidos pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade em 2012 (SIM/2012), demonstraram a ocorrência de 56.337 assassinatos no Brasil naquele ano, sendo que 67,9% das vítimas eram negras. Ainda: do total de homicídios, 30.072 vítimas eram jovens com idade entre 15 e 29 anos e destes, 71,5% da cor negra e 93,4% do sexo masculino.

“A população negra é mais vulnerável à violência urbana, especialmente os jovens de 15 a 29 anos e por isso o governo federal discute e executa políticas públicas para redução dessa vulnerabilidade”, disse Dalila Negreiros, lembrando o lançamento em 2012 do programa federal Juventude Viva que funciona em parceria com estados e municípios, envolvendo diferentes estruturas públicas para o acompanhamento de jovens em situação de risco. Os dados da SEPPIR ainda apontam que são assassinados cinco jovens negros a cada duas horas n o Brasil, ou o correspondente a 60 por dia.

A realidade local não é diferente. A situação de Londrina foi retratada pelo assistente social Eliezer Rodrigues dos Santos, do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS 2) que apresentou um estudo realizado naquela unidade nos anos de 2013 e 2014. Os dados levantados no período registaram a ocorrência de 47 homicídios violentos de jovens na faixa etária entre 12 e 21 anos, sendo que 12 eram brancos e os outras 34 vítimas, ou seja 70% dos jovens, negros ou pardos. O estudo apontou ainda que os jovens foram mortos por armas de fogo, de forma violenta, em confronto com a polícia ou traficantes; estavam em defasagem escolar e apresentavam origem em famílias de baixa renda.

Assessoria de Comunicação da CML 

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