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Paraná receberá três unidades móveis voltadas ao atendimento da mulher em situação de violência

Fruto de uma demanda do Movimento Sindical dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de todo o Brasil, o Paraná receberá do governo federal três unidades itinerantes voltadas ao atendimento de mulheres em situação de violência no campo. Uma unidade ficará em Curitiba e as demais percorrerão toda a área rural do interior Estado.

Uma chave simbólica será entregue pela ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, à Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (FETAEP), ao presidente Ademir Mueller e à secretária de Mulheres, Mercedes Demore, ao vice-governador Flávio Arns e ao prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet. A solenidade acontecerá nesta quinta-feira (20), às 10h, no Salão de Atos do Parque Barigui.

Para prestigiar o ato a FETAEP levará 300 trabalhadoras rurais de diversas regiões do Estado, entre elas Prudentópolis, São José das Palmeiras, São Tomé, Paraíso do Norte, Peabiru, Tijucas do Sul, Sapopema e Manoel Ribas, Pato Branco e Colorado. Segundo a secretária de Mulheres da Federação, Mercedes Demore, as unidades contarão com o trabalho de uma equipe multidisciplinar que inclui profissionais de segurança pública, da saúde, de atendimento psicossocial e do setor jurídico.

Além disso, continua ela, serão equipadas com três salas de atendimento, netbooks com roteador e pontos de internet, impressoras multifuncionais (para digitalização de documentos e fotocópias), geradores de energia, ar condicionado, projetor externo para telão, toldo, 50 cadeiras, copa e banheiro, assim como instalações para a acessibilidade de pessoas com deficiência.

As unidades de atendimento fazem parte do programa “Viver sem Violência”, do Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência que, a partir da demanda da Marcha das Margaridas de 2011 (ação de massa das mulheres do campo brasileiro), passou a inserir as unidades na pauta do programa. Todos os outros Estados da federação já receberam suas unidades.

A organização do itinerário no Paraná, a manutenção e o gerenciamento das delegacias móveis ficará a cargo de uma parceria entre a FETAEP, as prefeituras e o governo do Estado por meio da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju).

Mulheres da área rural ainda sofrem com a invisibilidade

Em se tratando da violência contra a mulher, dados estatísticos comprovam que entre 30% a 50% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência. Em 2012, o Paraná, segundo um estudo complementar do Mapa da Violência, foi apontado como o terceiro estado brasileiro em violência contra a mulher – ficando atrás apenas do Espírito Santo e de Alagoas. Já de acordo com o Relatório Final da Comissão Especial da Violência contra a Mulher, elaborado também em 2012, a cada 10 minutos uma mulher é agredida no Brasil. O estudo diz ainda que apenas 10% dos municípios possuem serviço de atendimentos a esses casos – “sendo esta lacuna que as unidades móveis vêm preencher”, comenta Mercedes Demore.

Os dados evidenciam uma realidade assustadora. No entanto, é preciso considerar que as mulheres do campo nem mesmo aparecem nesses índices, uma vez que ainda sofrem diante de outro problema social: a invisibilidade. Muitas, devido ao isolamento, desconhecem seus direitos perante a família e a sociedade. Diante disso, deixam de buscar seus direitos pelo simples fato de os desconhecerem. “E é justamente aí que entra a atuação da FETAEP, que leva informação até o campo, propiciando conhecimento acerca dos direitos da mulher”, comenta.

É de se lamentar que a sociedade ainda seja herdeira de um regime machista secular que, na comunidade rural, torna-se mais acentuado. Nota-se, em alguns casos, que as próprias mulheres têm dificuldades de se desvincular dos discursos de ordem sexista. O inconsciente coletivo da sociedade – formado por ideias arraigadas no passado – não permite discernir de forma clara tamanha violência que as mulheres sofrem, dando a entender que “as coisas são assim mesmo” ou, ainda, que “isso não existe!”.

Diante desse conformismo, há outro agravante: a omissão. Grande parte das mulheres se cala diante da violência que vivencia, não denunciando as agressões sofridas no âmbito doméstico.

Renata Souza/Asimp/FETAEP

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