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A atriz, produtora e locutora Priscilla Olyva tocou em um assunto muito delicado nesta semana de Dia das Mães. A opção por ter ou não ter filhos e o julgamento da sociedade.

"As meninas nascem e parece que são automaticamente programadas pela sociedade para namorar, casar e ter filhos. Os brinquedos, as brincadeiras, parece que tudo é direcionado para deixar claro o caminho natural de casar e ter filhos. Às vezes eu ia a restaurantes, por exemplo, via as mesas com um casal com crianças e pensava: 'Acho que não quero essa vida'. Aquilo não me dizia nada. Dali partiu o pensamento do 'será'. Será que é isso que eu quero?", conta ela.

Priscilla Olyva lembra que trabalhava na produção de uma peça de teatro quando tinha entre 23 e 24 anos. No texto de autoria de uma amiga, havia uma personagem que fazia muitos questionamentos sobre ter filhos, sobre ser mãe e sobre crianças: "Estava ouvindo e me questionei: 'Será que quero ser mãe?'. Não é que fui influenciada, mas o texto me fez parar para pensar e conforme eu ia me questionando, pesquisando, lendo a respeito, ia adquirindo mais informações até que cheguei à conclusão de que não queria ser mãe. Não sinto uma ligação forte. Adoro crianças, trabalho com crianças, dou aulas de teatro para elas, mas a maternidade é um universo que não tem nada a ver comigo".

"Comentei com a minha mãe, que sempre me apoiou na minha decisão, de como eu me sentia um extraterrestre quando falava que não queria ter filho: 'Como uma mulher não quer ser mãe?'. Falavam que eu ainda era nova pra decidir, mas conforme o tempo passou eu fui pensando na maternidade, percebendo e analisando os prós e contras, eu percebi que, para mim, os contras pesavam mais. E quando você descobre que não quer ser mãe, você descobre que você é praticamente uma bruxa dentro da sociedade. ' Como assim você não quer dar continuidade à espécie?'. E aí começam a surgir os problemas. Muitas pessoas acham que a sociedade está evoluída e eu brinco dizendo: “ procure falar que você, uma mulher de 30 anos, não quer ser mãe para você ver o que vai ouvir”. Escuto coisas do tipo: 'Essa escolha não é sua!', que eu sou egoísta, que eu estou indo contra a vontade de Deus...  Ok, caso hoje eu engravidasse mesmo sem querer, não sei se teria coragem de abortar, mas essa escolha existe.

“O lado positivo é que as mulheres estão assumindo mais essa posição, estão mais seguras para afirmarem que não querem ser mães", afirma a atriz que é casada com Fernando Valdujo.

Priscilla afirma que já conheceu casos de mulheres que após o nascimento dos seus filhos descobriram que não queriam ser mães: "É triste essa frase: 'Amo meu filho, mas se eu pudesse escolher, escolheria não ter tido'. Não dá para fazer um test drive! Sempre me questionam: 'E se você se arrepender?'. Posso adotar ou fazer uma inseminação artificial. “Muitas pessoas falam que só vou descobrir o que é amor verdadeiro depois que me tornar mãe, mas quem disse que o que sinto pelo meu cachorro não é igual ao que uma mãe sente pelo seu filho? Só quem sente o amor é que sabe a sua real intensidade".

Ela finaliza admitindo ficar triste ao ver que os questionamentos e julgamentos mais cruéis são feitos por mulheres, que deveriam ser as primeiras a apoiar essa decisão, visto que a gestação, o dar à luz, amamentar, sentir as dores do parte ainda são exclusividades delas: "As mulheres deveriam entender quando a outra que não quer ter filhos. Não dá para colocar um filho no mundo por colocar. Tenho que garantir educação, saúde, moradia e etc. Será que vou conseguir proporcionar para o meu filho uma vida estável? Precisa ser planejado. Uma das coisas que ouço em tom arrogante é: "Mas e seu marido? Ele não quer?'. Respondo que meu marido também não quer ter filho e a pessoa fica sem graça. Já vi casamentos terminarem porque um queria filhos e o outro não. Mas se um dia um de nós quiser nós vamos conversar. É muita intromissão das pessoas nesse ponto. Sou eu que vai amamentar, somos nós dois que vamos educar, moldar o caráter de um ser humano e mesmo assim as pessoas não entendem e nos cobram. Jamais não incentivei ou critiquei uma mulher por querer ser mãe, uma pena que o contrário ainda aconteça".

MF Press Global

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