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Interessados devem ficar atentos para a data de venda dos ingressos. O terceiro lote, com mil ingressos, será aberto no dia 08 de novembro, às 11h

Gustavo Zielonka V. Rodrigues/Asimp

Um dos mais versáteis artistas do país, Alceu Valença é outro grande nome confirmado para o Psicodália 2013 - Especial de Ano Novo. O festival, que acontece de 28 de dezembro de 2012 a 02 de janeiro de 2013, em Rio Negrinho, Santa Catarina, tem o show VIVO! programado para a noite do dia 29, segundo dia desse festival multicultural que chega à sua 16ª edição. Nele serão tocadas as músicas do álbum de mesmo nome, de 1976, além de canções mais contemporâneas da carreira de Alceu. Não estão descartadas, por exemplo, apresentações de sucessos como (Morena) Tropicana.

Ao saber de alguns nomes que já passaram pelo Psicodália, como Tom Zé, Mutantes, Casa Das Máquinas, O Terço e Paulinho Boca, Alceu revelou sua expectativa: “Bem, só pelo que você está me dizendo, eu já estou sabendo que o festival é legal”. “Eu já estou sentindo exatamente onde é que eu vou pisar. Inclusive, estou imaginando qual é o tipo de espectadores, o tipo de pessoas que vão estar na plateia. Já sinto qual será a energia”, diz Alceu. E completa: “Nós vivemos, pelo menos na minha cabeça, em três tempos: no presente, no passado e no futuro, tudo ao mesmo tempo. Eu vivo no passado pelo fato de eu ser um produto do meu passado. Mas esse produto Alceu Valença, hoje, é presente, porque nós estamos aqui. E esse produto Alceu Valença, esse ser humano, ele já está lá à frente, ele já está no festival que vai acontecer em Rio Negrinho, Santa Catarina.”

Interessados em participar do evento devem ficar atentos para a data de venda dos ingressos. O terceiro lote, com mil ingressos, será aberto no dia 08 de novembro, às 11h. E ao término deste, será liberado automaticamente o quarto e último lote, com mais novecentos ingressos. Com isso, a organização terá preenchido o total de quatro mil ingressos prometidos para essa edição. Também, cadastrar-se antecipadamente no site (www.psicodalia.mus.br) mostra-se como uma opção importante para evitar impasses na hora da compra e tentar garantir uma das entradas, haja vista que os primeiros lotes esgotaram-se quase que instantaneamente, com picos de acesso ao site que chegaram aos duzentos por segundo.

Vivo!

O álbum VIVO! foi o quarto da carreira do pernambucano Alceu Valença, que o enxerga como o que o consagrou como artista. Ele é fruto do aclamado show “Vou danado pra Catende”, realizado no Teatro Tereza Rachel, Rio de Janeiro, em 1976, e indispensável para quem tem como referência de Alceu músicas como Tropicana, Manga Rosa ou Como Dois Animais.

Suas letras, cheias de metáforas contra a ditadura, trazem a grandeza temática dos tradicionais violeiros nordestinos com suas visões míticas e alertas apocalípticos, como em Punhal de Prata: "Mas eu não quero viver cruzando os braços / Nem ser cristo na tela de um cinema / Nem ser pasto de feras numa arena / Nesse circo eu prefiro ser palhaço / Eu só quero uma cama pro cansaço / Não me causa temor o pesadelo / Tenho mapas e rotas e novelos / Para sair de profundos labirintos / Sou de ferro, de aço de granito / Grito aflito na rua do sossego".

Outras músicas do álbum são Casamento da Raposa Com o Rouxinol; Descida Da Ladeira; Edipiana Nº 1/Emboladas; Você Pensa; Pontos Cardeais; Papagaio do Futuro/Emboladas; e Sol e Chuva. Alguns dizem que muito da performance do show que gerou o disco era inspirada no vocalista e grande flautista, Ian Anderson, do Jethro Tull, caso que também ocorria com Alceu Valença, que era acompanhado pelo Zé da Flauta, músico excepcional que fazia parte daquela formação e que também estará presente na apresentação do Psicodália.

Elogiado por sua gravação, os méritos, segundo Alceu, seriam do engenheiro de som chamado Celinho, e da produção do maestro Guto Graça Mello. “As condições eram mínimas porque era preciso colocar dois microfones: um virado para a plateia e outro virado para os músicos. Então, para haver a gravação, foi amarrado um microfone no outro. Mas a sensibilidade desses dois foi tão grande que o disco é muito bem gravado. Ele tem uma energia, tem uma coisa maravilhosa.”

A ideia de voltar a tocar o álbum surgiu quando Alceu participou de um projeto do SESC em São Paulo, que remonta shows antigos de muito sucesso. Ao repeti-lo no Studio SP, Alceu ficou surpreso que na plateia havia vários garotos de barba comprida e meninas com vestidos típicos dos anos 70. Na ocasião, três mil pessoas não conseguiram entrar. Então ao sair, o povo dava vivas. Isso repercutiu muito, principalmente nos que descobriram o disco VIVO!, mas também nas pessoas que ouviram falar desse show, e nas que assistiram a ele.

Alceu Valença

Com mais de cinco milhões de discos de vendidos ao longo de três décadas de carreira, Alceu Valença é um artista polivalente. O VIVO! é apenas um dos cinco perfis diferentes de shows que ele terá apresentado ao longo de 2012: outros são o de Carnaval em Recife, forró no São João, urbano-metropolitano (sucessos de diferentes ritmos) e um erudito, acompanhado da Orquestra de Ouro Preto.

Bacharel em Direito com experiência em alguns dos principais veículos de comunicação do país, sua multiplicidade musical vem da infância no interior do sertão pernambucano, através dos cantadores de feira da sua cidade natal, do avô que era poeta e violeiro, da juventude urbana em Recife, e da experiência de quem conheceu os EUA e o rock da era de Woodstock.

Durante edição do Cool Jazz Festival, no Carnegie Hall, Estados Unidos, um jornalista do The NY Times viu seu show e falou que as músicas do disco VIVO! eram um rock que não é rock. “Ele entendeu dessa maneira porque não tinha nenhuma referência sobre minhas influências, como o baião, as toadas, os vaqueiros, tudo misturado com o blues e o rock”.

Sobre o processo criativo, ele diz não ser ‘um camarada’ que vive ouvindo músicas. “Eu ouço muito pouca música. Uma vez encontrei o Hermeto Pascoal, e perguntei: Hermeto, o que é que você ouve? Ele disse: nada. E eu lhe disse: Por quê? Ele disse: pra não me influenciar. Daí em diante eu achei que eu estando dentro dessa minha profissão, ou dentro desse setor da música, eu ‘num’ precisava ouvir muita gente não, para não me influenciar, e virar aquele cara, um subproduto daquilo. Pra mim, o artista é um ser individualista. A não ser quando ele trabalha num grupo. Mas a criação, o processo, é quase individual. Individualista no sentido bom”, conclui.

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