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Álbum tem participação de Carlinhos Brown, Marcelo Jeneci e Ivan Lins

Um trabalho que louva a poesia, a música e o cantar. Esta é a essência do disco de estreia da cantora paulistana Luzia Dvorek, ou apenas Luzia, como batizou seu primeiro trabalho. Com seu timbre cristalino, o álbum é marcado principalmente pela delicadeza e por sua devoção ao mar.

Formada em Sociologia e filha do artista plástico Silvio Dvorek e da diretora teatral Eugênia Thereza de Andrade, Luzia cresceu em um ambiente familiar que naturalmente a levaria para as artes. Fez dança e expressão corporal e na adolescência se dedicou ao estudo de canto com Ná Ozzetti. “Estudar com a Ná foi muito importante, já que, sendo a minha primeira professora, ela acabou me ensinando como lidar com a técnica e o canto lírico. Minha paixão pela música começou a ser maior a partir dessas aulas”, relembra.

Embora esteja no mercado musical há mais de cinco anos, Luzia conta que os frequentes convites para shows impediram que entrasse em um estúdio antes. “Não queria fazer qualquer CD, com um trabalho apressado, que saísse abaixo das minhas expectativas. Fui construindo com maturidade.”, revela a artista.

 “Luzia”, disco independente distribuído pela Tratore, mostra o cuidado musical da artista através da escolha das canções e dos instrumentistas. Produzido por Alê Siqueira, o álbum é bastante diversificado e contempla composições de diferentes estados, desde a mineira Consuelo de Paula até o gaúcho Vitor Ramil. “O que dá uma brasilidade ao trabalho”, como observa a cantora.

Gravado no estúdio Ilha dos Sapos, mantido por Carlinhos Brown em Salvador, o CD traz 12 faixas. Entre os destaques, o xote “De amor eu morrerei”, de Dominguinhos, marcado pela sanfona de Marcelo Jeneci, que parece desfiar um diálogo com a cantora, e o samba “Novo amor”, de Edu Krieguer. Luzia dá voz às inéditas “Cantiga de menina” (Breno Ruiz e Paulo Cesar Pinheiro), “Além do Paraíso” (Antonio Villeroy), e “No colo da lua cheia” (Paulo Dafilin e Roque Ferreira).

André Mehmari é outro convidado, como pianista de “Choro das Águas”, que também conta com a participação especialíssima de Ivan Lins em um duo. O que comprova a grande preocupação de Luzia com a musicalidade das canções, cercando-se de ótimos instrumentistas.

Em duas faixas do disco, Carlinhos Brown, autor da toada “Pestaneja”, participa na percussão. “O Carlinhos sempre foi uma referencia estética e musical para mim. Ele teve um susto quando eu, uma paulistana, escolhi a música “Pestaneja” para cantar”, diz.

Ela ainda transforma a balada pop “Fields of Gold”, de Sting, em uma música genuinamente brasileira, em versão de Zeca Baleiro e Lui Coimbra (Ouro e Sol). Porém, o que prevalece nesse álbum de estreia de Luzia, é o gênero canção.

“Vou disponibilizá-lo no iTunes”, anuncia, “mas tem de partir da canção”, complementa. Ela admite que não pretende abrir mão do que é vital para ela. Consciente da competitividade do meio, a jovem intérprete chega sem receios, lembrando que a comunicação dela se dá pelo canto. “Tenho de seguir meu caminho sem pensar que há muitas cantoras. Como disse Simone em uma entrevista, cada um tem seu caminho único. Então, temos de procurá-lo para alimentar a concretização do nosso desejo”, conclui, dizendo que quando julgar ter atingido maturidade suficiente, também pretende cantar sua criação autoral, que já exercita na intimidade.

(André Moretti/Asimp)

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