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Proteção Animal Mundial e Unesp realizam webinar para apresentar carta de cientistas do mundo todo com as razões para o fim de atrações turísticas com golfinhos após a pandemia da Covid-19.

Com a iminente reabertura de diversas atrações turísticas após meses de bloqueio por conta da pandemia da Covid-19, preocupa a exploração de milhares de golfinhos que vivem em cativeiro para servir a indústria de entretenimento. O assunto será tema de webinar hoje, 05, as 19 horas realizado em parceria entre a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e a Proteção Animal Mundial, organização não-governamental que trabalha pelo bem-estar animal. O webinar contará com a participação do professor do Instituto de Biociências da Unesp, Mario Rollo, pesquisador referência internacional em comportamento de cetáceos (golfinhos e baleias), e que é um dos diversos cientistas de várias organizações e universidades do mundo que, junto com a Proteção Animal Mundial, assinaram uma carta aberta que pressiona a indústria de turismo pelo fim da exploração de golfinhos em cativeiro para fins de diversão turística.

Segundo pesquisa da Proteção Animal Mundial, existem mais de 3 mil golfinhos em cativeiro sendo explorados por atrações de turismo no mundo todo, os chamados delfinários. O uso desses animais para entretenimento arrecada anualmente cerca de 500 milhões de dólares com a venda de ingressos. Infelizmente, essa renda é obtida às custas do sofrimento animal. São atrações cruéis, nas quais os golfinhos são usados como pranchas de surf, manipulados, abraçados e fotografados por uma fila interminável de visitantes.

Em carta ao setor turístico, os cientistas mostram que delfinários não conseguem simular o habitat natural desses animais. “Esses cetáceos, quando em vida livre, viajam até 225 km por dia, atingindo velocidades de, até, 50 km/h, mergulhando de 500 a mil metros de profundidade. No cativeiro, os tanques são cerca de 200 mil vezes menor do que a área de vida natural dessas espécies. Os animais ficam 100% do tempo em água clorada – que gera lesões na pele, quando na natureza eles vivem em água salgada, em extensões que superam os 100 km2”, comenta o gerente de Vida Silvestre da Proteção Animal Mundial, João Almeida.

Devido ao estresse do cativeiro, os golfinhos apresentam comportamento diferente do comum: nadam em círculos, se chocam contra paredes e grades, apresentam maior agressividade. A taxa de mortalidade desses animais também é mais alta, uma vez que o bem-estar não é preservado ao serem explorados para o entretenimento.

 “Globalmente a Proteção Animal Mundial pede que toda a cadeia do turismo – operadoras e agências – se comprometa a não mais oferecer nem vender ingressos para delfinários, e que adote políticas corporativas responsáveis com a vida silvestre. A exploração comercial de animais silvestres para qualquer fim é extremamente danosa para as espécies, assim como expõe humanos. A atual pandemia da Covid-19 é uma crise de maus-tratos a animais silvestres, que tem como origem a exploração comercial das espécies. Se queremos evitar futuras pandemias, devemos acabar com a exploração comercial desses animais”, finaliza Almeida.

Fim do comércio de animais silvestres

O comércio global de animais silvestres, como o que é por exemplo realizado pelo setor de turismo e entretenimento, é uma indústria que movimenta anualmente entre 7 e 23 bilhões de dólares. Também fazem parte dessa mercantilização em escala industrial da vida silvestre os setores da alimentação, medicina tradicional, bichos de estimação e acessórios para moda. A interação entre animais silvestres e pessoas, possibilitada pelo comércio da vida silvestre, é um risco para a saúde humana, já que cerca de 70% de todas as doenças transmitidas de animais para humanos têm origem nos silvestres.

Acabar com o comércio mundial de animais silvestres é essencial para proteger a saúde humana e a economia de novas pandemias, como a Covid-19, e garantir uma vida sem sofrimento para os animais. Por isso, a Proteção Animal Mundial lançou uma campanha global que pede que os líderes do G20 trabalhem para a proibição permanente do comércio de animais silvestres no mundo. Em abaixo-assinado, iniciado em maio de 2020, a organização pede que o tema seja incluído na agenda da cúpula anual do G20 que acontece em novembro próximo. Como membro do G20, o governo brasileiro tem o poder de influenciar as grandes economias globais a tomarem a atitude necessária para proteger os animais, as pessoas e o planeta.

Saiba mais: https://www.worldanimalprotection.org.br/g20

Guilherme Justo/Asimp

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