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Turismo 18/12/2013  10h11

Uma viagem ao passado no litoral paranaense

A costa do Paraná possui atrações turísticas como prédios históricos do período colonial brasileiro e uma das maiores cachoeiras do estado, Salto Morato, em Guaraqueçaba.

Ilha do Mel

Maria Luiza - NQM Comunicação

O Paraná tem nas Cataratas do Iguaçu o seu cartão postal mais conhecido, mas existem outras atrações para os turistas, principalmente para os amantes de programas culturais e em meio à natureza. Um dos roteiros em que se pode conhecer atrativos desses gêneros é o litoral paranaense. A região reserva belas paisagens e opções de passeio que vão além do tradicional banho de mar ou de caminhadas na areia.

A turismóloga Maricy Rizzato, que trabalha e um dos atrativos da região, explica que o litoral possui grande vocação para o chamado ecoturismo. “A presença de várias unidades de conservação e de importantes remanescentes de áreas naturais tornam a costa leste do Paraná altamente propícia para o turismo ecológico”, explica a profissional. Já a proximidade de grandes centros, como Curitiba, São Paulo e Florianópolis é indicada pela profissional como um fator propulsor do movimento turístico na região.

Com 100 km de extensão, o litoral do Paraná está inserido no maior remanescente contínuo de Mata Atlântica do Brasil e recebe anualmente, entre janeiro e fevereiro, cerca de 1,5 milhão de turistas, segundo dados da Secretaria de Turismo do Paraná. Entre as opções de passeio da região estão as cidades históricas Paranaguá, Antonina e Morretes, além de atrações naturais como a paradisíaca Ilha do Mel, o Parque Nacional do Superagui e uma cachoeira de mais de 100 metros de altura, o Salto Morato, considerado o maior de todo o litoral paranaense.

‘Rainha dos peixes’

Entre as áreas protegidas abertas à visitação destaca-se o ainda pouco explorado turisticamente Parque Nacional do Superagui, localizado em Guaraqueçaba. O nome do Parque, que em tupi-guarani significa ‘rainha dos peixes’ é uma alusão às inúmeras espécies que habitam suas ilhas, como a das Peças e a do Pinheiro. Localizado em Guaraqueçaba, possui 38 km de praias desertas, que podem ser exploradas a pé ou de bicicleta. No Parque é possível observar a revoada de papagaios-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) ao entardecer e também os botos com seus filhotes na bacia do Rio das Peças. O acesso é feito somente por mar, a partir de Paranaguá ou de Guaraqueçaba, numa viagem que pode levar até três horas. Os horários podem ser confirmados com a Associação de Barqueiros do Litoral Norte do Paraná (www.abaline.com.br).

O Salto de mais de 100 metros

O litoral do Paraná possui também belas cachoeiras, situadas no meio da Mata Atlântica, como Salto Morato, a maior da região. A cachoeira empresta seu nome à Reserva Natural Salto Morato, criada e mantida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em Guaraqueçaba. É um local apropriado para os turistas que pretendem conhecer de perto a fauna e a flora da Mata Atlântica e também para os praticantes de ‘birdwatching’ (observação de aves) – foram identificadas na Reserva 324 espécies diferentes desses animais. O acesso ao Salto é feito por meio de uma das trilhas da Reserva, devidamente sinalizada, na qual painéis interpretativos trazem informações sobre a biodiversidade local. Além da cachoeira, encantam os turistas um aquário natural de água s cristalinas, onde é possível nadar ao lado de diversas espécies de peixes; e a Figueira do Rio do Engenho, árvore centenária habitada por diversas espécies de plantas e de animais, cujas raízes formam um portal sobre o rio.

Desde que a Reserva foi aberta à visitação pública, em 1996, mais de 100 mil visitantes já estiveram no local. Somente este ano o número ultrapassou 7.000 visitantes. A relações públicas Paula Mariana Gomes Dellaroza foi uma das turistas que visitaram pela primeira vez a Reserva em 2013. Ela se surpreendeu com a beleza do local e considerou uma opção bastante atraente de passeio turístico. “Foi uma experiência diferente e muito energizante. O lugar é lindo e nos tira completamente da rotina, recomendo para quem quer descansar em meio à natureza”, ressalta.

‘A Ilha’

Cercada de mistérios e destino certo dos amantes da natureza, a Ilha do Mel, conhecida simplesmente como ‘a Ilha’ pelos paranaenses, é um dos pontos turísticos de destaque da região. Localizada entre a Baía de Paranaguá e o Oceano Atlântico, a cerca de 30 km da costa, o acesso ao local é feito de barco, a partir de Paranaguá ou de Pontal do Paraná. As saídas e retornos são diários e custam R$ 27 (ida e volta) para saídas a partir de Pontal do Sul, com meia hora de duração para o trajeto. A ilha contém praias com areias brancas e de águas límpidas e três pontos turísticos que a tornam mais bela: o Farol das Conchas, de onde se vislumbra o pôr do sol; a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, um monumento arquitetônico com muralhas e canhões; e a Gruta das Encantadas, cerca da de lendas e mistérios e cujo acesso só pode ser feito na maré baixa. A Ilha do Mel faz parte da cidade de Paranaguá.

O Paraná começa aqui

Ponto de chegada dos primeiros colonizadores, Paranaguá é a principal do litoral, reconhecida como o município ‘mãe do Paraná’.  Abriga o Porto de Paranaguá - terminal por onde se escoa a maior parte da safra de grãos do Paraná - e um conjunto arquitetônico que leva o turista a uma viagem pelo século XVII. São casarios, monumentos e igrejas que ainda mantêm as fachadas azulejadas e com paredes caiadas, características típicas das construções do período colonial brasileiro. Entre os prédios, destacam-se as igrejas Nossa Senhora do Rosário, a atual Catedral; a Nossa Senhora das Mercês, reconstruída em 1955 na ilha da Cotinga, de onde se descortina uma bela vista da cidade e da baía de Paranaguá; e a de São Benedito, erguida em 1784 pelos escravos e tombada pelo Patrimônio Histórico Artístico Nacional. O passeio pelo centro histórico pode ser feito a pé pelas ruas e ladeiras ainda calçadas com antigas pedras.

Morretes

O roteiro histórico-cultural pode continuar a apenas 40 km de Paranaguá, nas cidades Morretes e Antonina, dois dos primeiros municípios paranaenses. A primeira delas, ao pé da Serra do Mar, possui opções de passeio como o Circuito Ecológico de Mountain Bike, um roteiro com 21 km de extensão que circunda a cidade, passando por ruínas de usinas de açúcar e pela entrada do pico Marumbi, conjunto formado por oito cumes de altitudes diferentes, onde há várias opções para prática de montanhismo. Além disso, é possível fazer caminhadas à beira do Rio Nhundiaquara, que corta a cidade. O passeio fica completo com a degustação do barreado, prato típico paranaense, feito à base de carne cozida com tempero em panela de barro, cuja tampa é selada com uma mistura de água e farinha. O cozimento é feito por 24 horas e o prato, depois de pronto, é servido com farinha e banana, principal fruta da região.

Em Antonina o conjunto arquitetônico dos prédios e as caminhadas pelas ruas estreitas e calçadas de pedra guardam a história da cidade, levando o turista ao passado, quando a exploração da erva-mate era a principal atividade econômica do município. Uma das atrações é o antigo Casarão, cujas ruínas revelam a fachada de um antigo depósito de erva mate, além do complexo industrial da família Matarazzo, que implantou o primeiro porto particular na cidade e mantinha moinhos de trigo, sal, açúcar e erva mate. Além disso, a cidade realiza anualmente a festa de carnaval, conhecida por ser uma das mais animadas do litoral, com desfile de blocos e escolas de samba.

Como chegar?

O acesso ao litoral do Paraná pode ser feito a partir de Curitiba por meio de trem, carro ou ônibus. De trem, a saída é da Estação Ferroviária em Curitiba com chegada somente a Morretes. De ônibus e carro pode se chegar a Paranaguá, Morretes e Antonina pela rodovia BR-277, que é a principal via de acesso ao litoral. O acesso para a Ilha do Mel pode ser feito de barco a partir de Pontal do Sul ou de Paranaguá e o acesso ao Parque Nacional do Superagui é feito a partir de Guaraqueçaba, por barco. Para chegar à Reserva Natural Salto Morato, é possível seguir por via terrestre, a partir de Curitiba ou indo de barco até Guaraqueçaba, seguindo por terra até a Reserva.

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