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Inverno de fato

V
Por Luiz Carlos Amorim

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O inverno chegou, agora de fato e de direito. O frio já havia chegado há mais ou menos um mês, mas agora a estação começou de verdade. No dia 21 de junho, começou oficialmente o inverno aqui no Brasil, pelo menos no sul e sudeste. Mais no sul, naturalmente.

Interessante que o inverno acaba de chegar, mas  a época da tainha, que marca indelevelmente o inverno no sul do Brasil, já está acabando. O governo brasileiro estabeleceu cotas para a pesca da tainha há uns dois anos e a safra começou em primeiro de maio. Pois quando em meados de junho, pouco antes de o governo começar, o mesmo governo brasileiro decidiu que a cota já havia sido atingida, pois a pesca da tainha foi abundante este ano, sem contar que o tamanho dos peixes aumentou que foi uma beleza. Aí o Estado de Santa Catarina protestou e o governo voltou atrás, autorizando que se pescasse mais um pouco, pouca coisa. De maneira que entramos o inverno com o fim da pesca da tainha. Uma pena, inverno sem tainha e sem pinhão, em Santa Catarina, não é inverno. Ainda bem que a safra foi generosa e a gente pode congelar algumas para ter o nosso peixe tradicional de inverno mais adiante, em meados do inverno.

Mas o inverno está aí, pra se fazer bolinho de chuva, chocolate quente, uma sopa caprichada, peão de queijo com café bem quente, pinhão assado ou cozido, tomar vinho e até um quentão vai muito bem.

Um caldo de tainha, então... Como já disse acima, a pesca deste ano foi muito boa, pescou-se muito, grandes lanços e tainhas de mais de três quilos, uma safra abençoada.

Amanhã vou ao mercado, que ainda estamos em junho, mesmo que chova e faça frio, para comprar tainhas, camarão e ovas para fazer algumas recheadas e guardar no freezer e do resto fazer cambira – tainha escalada, salgada e seca no sol. Se não fizer sol, guardo elas já salgadas na geladeira, até que tenhamos tempo bom de novo. E, claro, reservo uma ou duas para fritar e fazer um caldo, na casa da minha mãe, que ela é muito fã.

Inverno é assim, aqui no litoral de Santa Catarina: frio tem que ter tainha. Se não der tainha, é inverno pela metade. Abençoada terra, abençoado mar, abençoada natureza, que tão maltratada por nós, a despeito de nosso desrespeito para com ela, nos presenteia com o que ela tem de melhor. Não é à toa que ela é chamada de Mãe Natureza. Privilégio morar em Florianópolis, a terra da magia – magia dos peixes, também.

Luiz Carlos Amorim - escritor, editor e revisor - Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 46 anos de trajetória, editor das Edições A ILHA, que publicam as revistas SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA e ESCRITORES DO BRASIL. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras, cadeira 19 da Academia Desterrense de Literatura - [email protected]

* Os textos (artigos) aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do GRUcom -  Grupo União de Comunicação (Jornal União/Portal www.jornaluniao.com.br/Rádio e TV Jornal UniãoWeb).

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