O Paraná consolidou-se como o estado com a maior expansão no consumo de cervejas sem álcool no Brasil. Entre maio de 2025 e abril de 2026, o volume comercializado no estado registrou um salto de 43,4%, desempenho quase três vezes superior à média nacional de 15,1% no mesmo período.
Os dados, extraídos de um painel da Scanntech — plataforma de inteligência de mercado —, apontam que, no ciclo anual encerrado em abril, o Paraná comercializou 8,91 milhões de litros da bebida, movimentando um faturamento superior a R$ 110,7 milhões. Com esse resultado, o estado ampliou sua participação no mercado nacional, saltando de 13,48% para 16,79%.
Preço e acessibilidade impulsionam vendas
Um dos fatores determinantes para o avanço expressivo no estado foi o movimento de preços. Enquanto a média nacional de redução do preço ao consumidor foi de 1,5% no último ano, o varejo paranaense praticou um recuo de 8,0%. Atualmente, o preço médio do litro da cerveja sem álcool no Paraná é de R$ 12,43, valor 9,8% mais baixo do que a média registrada em todo o país, que é de R$ 13,78.
Segundo a Associação Paranaense de Supermercados (Apras), a tendência é de continuidade no crescimento. No trimestre entre fevereiro e abril de 2026, o aumento do volume de vendas no Paraná chegou a 81,1%, confirmando a aceitação do público por produtos ligados a hábitos de saúde e bem-estar.
"As bebidas zero evoluíram muito em sabor e experiência. Vimos lançamentos ligados à saudabilidade, baixa caloria, funcionalidade e conveniência, além de drinks prontos, cervejas premium 0,0, opções sem glúten e alternativas com teor alcoólico reduzido, cada vez mais sofisticadas e alinhadas aos novos hábitos de consumo", afirmou Maurício Bendixen, superintendente da Apras.
Perfil do consumidor
A expansão é atribuída a dois perfis distintos de consumidores: jovens adultos que buscam qualidade de vida, e um público mais maduro, que busca reduzir o consumo de álcool por recomendações médicas ou escolha pessoal, sem abrir mão da experiência social. A presença de cervejas zero álcool, que possuem até 0,5% de teor residual em decorrência do processo natural de fermentação, tornou-se comum até mesmo em ambientes esportivos, como em rituais pós-treino de corridas e CrossFit.
O setor artesanal paranaense também ganha fôlego. Produtoras locais têm investido em leveduras específicas para a fermentação, buscando garantir corpo e sabor superiores, o que tem diferenciado o produto regional no mercado.