Educação

Estudantes surdos de Londrina transformam óleo usado em pesquisa científica e inspiram inclusão na educação

Projeto desenvolvido no ILES une sustentabilidade, ciência e Libras, ampliando oportunidades para jovens pesquisadores e conquistando reconhecimento estadual.

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Por Da Redação
Estudantes surdos de Londrina transformam óleo usado em pesquisa científica e inspiram inclusão na educação
Foto: SEED

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A produção de sabão a partir de óleo de cozinha usado está levando estudantes surdos de Londrina a vivenciarem a pesquisa científica na prática e a conquistarem reconhecimento além dos muros da escola. Desenvolvido no Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES), o projeto alia sustentabilidade, educação inclusiva e protagonismo estudantil, criando novas oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento para os participantes.

A iniciativa é realizada pelo Clube de Ciência Em Mãos, grupo que integra a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Há cerca de dois anos, os estudantes passaram a desenvolver atividades científicas em Libras, aproximando-se do universo da pesquisa e ampliando sua participação em espaços acadêmicos.

Mais do que produzir sabão a partir do reaproveitamento do óleo de cozinha, os alunos investigam processos, analisam resultados e criam materiais educativos acessíveis para outros estudantes surdos. O trabalho também envolve a elaboração de vídeos em Libras, pesquisas científicas e recursos pedagógicos voltados à inclusão.

Segundo a professora de Ciências e Biologia Alessandra Francisco, responsável pelo projeto, a proposta surgiu da necessidade de ampliar a visibilidade dos estudantes surdos e demonstrar seu potencial na área científica.

“Precisava unir pesquisa, desenvolvimento científico e iniciação científica com acessibilidade. O projeto vai além da escola. É para a vida e para o futuro deles”, afirma.

Ciência ensinada em Libras

Um dos diferenciais da iniciativa é a forma como os conteúdos são trabalhados. Em vez de apenas traduzir conceitos científicos, as atividades são desenvolvidas diretamente em Libras, utilizando recursos visuais, demonstrações práticas e estratégias adaptadas ao processo de aprendizagem dos estudantes.

A partir das pesquisas, o grupo também desenvolve um sinalário científico, reunindo sinais específicos para termos técnicos utilizados durante os estudos. Os próprios alunos participam da criação dos sinais e da produção dos materiais audiovisuais.

Outra frente em andamento é a construção de um jogo bilíngue com conteúdos em Libras e português, voltado ao apoio da aprendizagem de estudantes surdos.

Para Alessandra, a produção desses recursos ajuda a preencher uma lacuna ainda existente na educação científica inclusiva.

“A ciência é um lugar de todos e deve ser ocupada por todos”, destaca.

Experiência transforma trajetória dos alunos

Entre os participantes do clube está Heycon Lucas Pedroso dos Santos, de 16 anos, estudante da 1ª série do Ensino Médio. Ele conta que ingressou no projeto inicialmente para melhorar a comunicação e a convivência com outros colegas surdos, mas acabou descobrindo uma nova paixão.

“Eu não gostava de ciência, nem de Química ou Biologia, mas entrei no clube. Com o tempo, fui descobrindo um lugar em que eu me encaixava”, relata.

Atualmente, Heycon participa das pesquisas, ajuda na elaboração de apresentações, grava vídeos em Libras e colabora com os demais integrantes do grupo. Segundo ele, a experiência contribuiu para fortalecer sua autoconfiança e ampliar seus planos para o futuro.

“Eu achava que era tímido e que não tinha capacidade, mas entendi que isso não era verdade. Futuramente, penso em continuar sendo pesquisador”, afirma.

Reconhecimento estadual

O trabalho desenvolvido pelos estudantes ganhou destaque em 2025 durante a Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (Fecci), realizada em Curitiba. O projeto conquistou o terceiro lugar na categoria de divulgação científica, resultado considerado simbólico pelos organizadores.

A participação no evento permitiu que os alunos apresentassem suas pesquisas a um público amplo e ajudou a reforçar a capacidade dos jovens surdos de atuar na produção e divulgação do conhecimento científico.

Educação integral impulsiona projetos

O desenvolvimento das atividades também é favorecido pelo modelo de Educação em Tempo Integral adotado pela rede estadual. Com mais tempo na escola, estudantes e professores conseguem aprofundar pesquisas, desenvolver projetos de longo prazo e ampliar a interação dentro do ambiente escolar.

Atualmente, o Programa Paraná Integral atende mais de 99 mil estudantes em 485 escolas estaduais. Além do currículo regular, o modelo oferece atividades complementares voltadas à formação acadêmica, cultural, esportiva e socioemocional.

No ILES, essa estrutura tem permitido que a ciência se torne um instrumento de inclusão e transformação, mostrando que a pesquisa científica pode ser acessível a todos e abrindo novos caminhos para estudantes que agora enxergam na educação uma oportunidade de construir o próprio futuro.

Com informação da AEN

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