A expansão urbana desordenada continua sendo uma das principais ameaças à conservação da Mata Atlântica, um dos biomas mais importantes e ao mesmo tempo mais degradados do Brasil.
Presente em 17 estados brasileiros, a floresta já perdeu cerca de 76% de sua vegetação nativa original. Dos remanescentes existentes, aproximadamente metade ainda é considerada bem preservada, segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica.
Mesmo reduzida e fragmentada, a Mata Atlântica influencia diretamente a vida de cerca de 70% da população brasileira — aproximadamente 145 milhões de pessoas — por meio de serviços ambientais essenciais, como abastecimento de água, regulação do clima, proteção contra desastres naturais e manutenção da biodiversidade.
Pressão histórica e urbanização crescente
A degradação do bioma não é recente. Desde o período colonial, com a exploração do pau-brasil, a expansão agrícola da cana-de-açúcar, a mineração e o avanço das lavouras de café, a Mata Atlântica vem sofrendo sucessivas perdas de cobertura vegetal.
Nas últimas décadas, o crescimento urbano acelerado e, muitas vezes, desordenado, intensificou a fragmentação dos remanescentes florestais, dificultando a regeneração natural e ampliando os impactos ambientais.
Manguezais e papel estratégico na conservação
Dentro do conjunto da Mata Atlântica, os manguezais desempenham papel fundamental como ecossistemas de transição entre rios e mar. Esses ambientes funcionam como berçários naturais para diversas espécies marinhas, como peixes, crustáceos e moluscos.
Além disso, contribuem para a contenção da erosão costeira, o armazenamento de carbono e a subsistência de comunidades tradicionais que dependem da pesca e do extrativismo.
Apesar da importância ecológica, os manguezais seguem ameaçados por ocupações irregulares, poluição, desmatamento e especulação imobiliária.
Ações de proteção no litoral do Paraná
No litoral do Paraná, iniciativas de fiscalização ambiental vêm sendo intensificadas para conter a ocupação irregular de áreas sensíveis de manguezal, especialmente no município de Paranaguá.
As ações fazem parte da Ação Integrada de Fiscalização Ambiental (AIFA), que reúne órgãos ambientais, forças de segurança e o poder público na proteção do litoral paranaense.
Desde o início das operações, em 2023, já foram demolidas cerca de 300 construções irregulares, além da retirada de toneladas de resíduos sólidos dessas áreas.
O trabalho também conta com articulação do Ministério Público Federal, reforçando o combate à ocupação irregular e à degradação ambiental em áreas protegidas.
As ações integram um conjunto de esforços voltados à preservação dos ecossistemas costeiros e à contenção da degradação ambiental em regiões sensíveis do bioma.
Com informação do Ministério Público Federal no Paraná