A cidade de Ribeirão Cascalheira, no nordeste de Mato Grosso, recebe nos dias 18 e 19 de julho a 8ª Romaria dos Mártires da Caminhada Latino-Americana, que neste ano fará memória dos 50 anos do martírio do padre João Bosco Penido Burnier. O encontro também recordará os 50 anos da libertação das camponesas Margarida e Santana e homenageará o padre Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo, mortos em 1976.
A romaria acontece no Santuário dos Mártires da Caminhada Latino-Americana, construído no local onde padre João Bosco Burnier foi baleado ao interceder, ao lado do bispo Dom Pedro Casaldáliga, em defesa de duas mulheres que eram submetidas a torturas em uma delegacia da região durante o período da ditadura militar.
Segundo a organização, a programação reunirá romeiros de diferentes estados para momentos de celebração, oração, reflexão e memória, reforçando temas ligados à defesa da vida, dos direitos humanos e da justiça social.
Cartaz homenageia defensores da vida
O cartaz oficial da edição de 2026 foi produzido pelo artista Anderson Augusto e traz a imagem do padre João Bosco Burnier ao centro, cercado por personalidades que marcaram a defesa dos direitos humanos, da justiça social e das populações vulneráveis na América Latina.
Entre os homenageados estão a missionária Dorothy Stang, o arcebispo Oscar Romero, o ambientalista Chico Mendes, a líder sindical Margarida Alves, a vereadora Marielle Franco, o indígena Simão Bororo, o padre Rodolfo Lunkenbein, o jornalista Vladimir Herzog, além de outros religiosos, lideranças populares e defensores das causas sociais.
A arte também faz referência à preservação ambiental, à esperança simbolizada pelos girassóis e às lutas dos povos tradicionais e indígenas, além de apresentar elementos que remetem à paz e à solidariedade.
Memória e compromisso
Promovida pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e por entidades ligadas à Prelazia de São Félix do Araguaia, a Romaria dos Mártires da Caminhada tornou-se um dos principais eventos religiosos e de memória da região amazônica, reunindo fiéis, lideranças religiosas e representantes de movimentos sociais para recordar pessoas que perderam a vida na defesa da justiça, da dignidade humana e dos direitos das populações mais vulneráveis.
Com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT).