As síndromes respiratórias continuam avançando em Londrina e já respondem por quase um terço dos atendimentos realizados no Pronto Atendimento Infantil (PAI). O cenário preocupa autoridades de saúde e ganha ainda mais relevância após a confirmação de dois novos óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), elevando para 26 o número de mortes registradas no município em 2026.
Dados do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde mostram que, somente na última semana, 776 das 2.258 crianças atendidas no PAI apresentavam sintomas respiratórios, o equivalente a cerca de 31% de todos os atendimentos realizados na unidade.
Entre os dois óbitos mais recentes estão uma criança de um ano e uma pessoa de 61 anos, ambas com comorbidades. Das 26 mortes contabilizadas neste ano, 15 permanecem classificadas como SRAG não especificada, seis foram provocadas pelo vírus influenza e cinco pelo vírus sincicial respiratório (VSR). Até o momento, Londrina não registrou mortes por Covid-19 no período analisado.
Vários vírus circulam ao mesmo tempo
O monitoramento epidemiológico aponta a circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios na cidade. Os principais são o vírus sincicial respiratório (VSR), influenza A e B, rinovírus e adenovírus, aumentando o risco principalmente para crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
Segundo a Diretoria de Vigilância em Saúde, a vacinação contra a gripe continua sendo a principal ferramenta para reduzir casos graves, internações e mortes relacionadas às doenças respiratórias.
Vacinação infantil preocupa
Apesar das campanhas de imunização, a cobertura vacinal entre os grupos prioritários segue distante da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Entre crianças de seis meses a cinco anos, apenas 38% receberam a vacina contra a influenza. Já entre idosos com mais de 60 anos, a cobertura chegou a 57%, ainda considerada insuficiente para ampliar a proteção coletiva.
A vacina permanece disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para toda a população a partir dos seis meses de idade, além de ações extramuros promovidas pelo município para facilitar o acesso ao imunizante.
Casos também impactam atendimentos de adultos
Além da elevada procura pelo atendimento infantil, os serviços de pronto atendimento destinados à população em geral realizaram 15.259 atendimentos na última semana. Desse total, aproximadamente 15% estavam relacionados a síndromes respiratórias.
O boletim ainda aponta 34 internações por complicações respiratórias, sendo 20 crianças e 14 adultos.
Cuidados continuam sendo recomendados
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que pessoas com sintomas respiratórios evitem contato com indivíduos mais vulneráveis, mantenham a higiene frequente das mãos, utilizem a etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar e procurem atendimento médico diante de sinais de agravamento, como dificuldade para respirar ou febre persistente.
A orientação também reforça a importância da vacinação contra a influenza como principal medida para reduzir complicações, internações e mortes durante o período de maior circulação dos vírus respiratórios.
Com informação do NCPML