A vacinação contra a dengue continua normalmente em Londrina para adolescentes de 10 a 14 anos, mesmo após a suspensão temporária da vacina Butantan-DV anunciada pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reforçou que a medida não afeta a aplicação da Qdenga, imunizante disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município.
A suspensão divulgada nesta semana envolve exclusivamente a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, aplicada em dose única e destinada a profissionais de saúde. Segundo os órgãos federais, a decisão foi adotada de forma preventiva para investigar eventos adversos raros registrados após a vacinação.
De acordo com a SMS, a campanha com a Qdenga segue sem qualquer alteração. Aplicada em duas doses, a vacina é utilizada na rede pública para proteger adolescentes contra os quatro sorotipos do vírus da dengue e reduzir o risco de casos graves e mortes provocadas pela doença.
Cobertura vacinal
Desde o início da campanha, Londrina já aplicou 18.345 doses da Qdenga. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontam que a cobertura vacinal do público-alvo está em aproximadamente 55%.
Já a vacina Butantan-DV foi administrada em 360 profissionais de saúde no município antes da suspensão temporária determinada pelas autoridades sanitárias.
A Secretaria Municipal de Saúde destaca que, apesar da importância da vacinação, a principal forma de combate à dengue continua sendo a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A orientação é manter quintais limpos, evitar água parada e vistoriar regularmente recipientes que possam servir de abrigo para o vetor.
Casos estão sob investigação
A coordenadora de Imunização da SMS, Carla Mazzei, explicou que a suspensão da vacina Butantan-DV ocorreu após o registro de 42 eventos adversos com sinais de alerta em todo o país, incluindo dois óbitos que seguem em investigação.
Segundo ela, os casos representam uma parcela muito pequena diante das cerca de 500 mil doses aplicadas nacionalmente e, até o momento, não existe comprovação de que a vacina tenha sido responsável pelas ocorrências registradas.
“A medida é preventiva e visa investigar possíveis riscos à segurança. Até o momento, não há comprovação de que a vacina tenha causado os casos analisados, e a suspensão não está relacionada à eficácia do imunizante”, afirmou.
Para quem recebeu a vacina Butantan-DV, a orientação do Ministério da Saúde é acompanhar o estado de saúde durante os 21 dias após a aplicação. Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos ou agravamento do quadro clínico, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
Até o momento, não há indicação de tratamento específico nem necessidade de revacinação para as pessoas que receberam o imunizante suspenso. A recomendação é apenas monitorar possíveis sintomas e buscar assistência médica caso surjam sinais de alerta.