Agro

Projeto de renegociação de dívidas rurais pode aliviar crise financeira no campo

Proposta aprovada pelo Senado segue para a Câmara e prevê apoio a produtores atingidos por eventos climáticos extremos e dificuldades de mercado

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Por Da Redação

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Produtores rurais que enfrentam dificuldades financeiras em decorrência de perdas causadas por eventos climáticos e crises de mercado poderão contar com uma nova alternativa para reorganizar suas dívidas. O Projeto de Lei 5.122/2023, aprovado pelo Senado Federal, segue para análise da Câmara dos Deputados com a proposta de criar mecanismos de renegociação para agricultores em situação de vulnerabilidade econômica.

A medida tem recebido apoio de entidades do setor agropecuário, entre elas o Sistema FAEP, que considera a iniciativa fundamental para garantir a continuidade da produção rural e evitar o agravamento da crise financeira enfrentada por milhares de produtores.

O projeto estabelece que os recursos utilizados nas renegociações virão de fontes já existentes, como fundos vinculados ao crédito rural e ao Fundo Social do Pré-Sal, sem previsão de criação de novos tributos. O limite das operações será definido pelo Governo Federal, conforme a disponibilidade orçamentária.

Endividamento cresce no setor

O avanço da proposta ocorre em meio a um cenário de aumento do endividamento no campo. Dados apresentados pelo Sistema FAEP indicam que o Brasil acumulava R$ 153,6 bilhões em saldos problemáticos de empréstimos rurais em janeiro deste ano. No Paraná, o montante chegou a R$ 10,8 bilhões.

Segundo representantes do setor, a situação é consequência de uma combinação de fatores, como secas, geadas, excesso de chuvas e oscilações nos preços agrícolas, que comprometeram a capacidade de pagamento dos produtores.

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirma que muitos agricultores acumulam prejuízos sucessivos e necessitam de condições especiais para recuperar a capacidade produtiva.

Debate sobre os custos da proposta

A tramitação do projeto também abriu discussão sobre seu impacto nas contas públicas. Após a aprovação pelo Senado, o Governo Federal divulgou estimativas indicando que o custo potencial da medida poderia variar entre R$ 140 bilhões e R$ 800 bilhões.

Entidades ligadas ao agronegócio contestam os números e argumentam que os cálculos consideram todas as dívidas que poderiam ser enquadradas no programa, e não apenas os contratos que efetivamente precisariam ser renegociados.

Outro ponto previsto no texto é que o risco das operações continuará sob responsabilidade das instituições financeiras, que deverão analisar a viabilidade econômica dos pedidos antes da concessão das condições especiais de pagamento.

Seguro rural e perdas climáticas

O debate sobre o endividamento também envolve a política de proteção ao produtor rural. O Sistema FAEP defende que a redução dos recursos destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) aumentou a exposição dos agricultores aos riscos climáticos.

De acordo com a entidade, entre 2021 e 2025 houve queda significativa na área segurada com apoio federal, cenário que teria contribuído para ampliar os prejuízos enfrentados pelos produtores em períodos de adversidades climáticas.

Enquanto aguarda a análise da Câmara dos Deputados, o projeto segue sendo acompanhado por entidades do setor, que veem na proposta uma alternativa para restabelecer a capacidade de investimento dos produtores e reduzir a pressão financeira sobre o agronegócio brasileiro.

Com informação do Sistema FAEP

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