A Prefeitura de Cambé implantou uma nova política de acompanhamento, prevenção e encaminhamento de casos relacionados à saúde mental infantil. A iniciativa integra as secretarias municipais de Educação e Cultura, Saúde Pública e Assistência Social com o objetivo de identificar precocemente sinais de sofrimento emocional entre crianças e evitar situações de crise no ambiente escolar.
A medida estabelece uma atuação conjunta entre diferentes serviços públicos, permitindo que informações sobre atendimentos, acompanhamento escolar e realidade familiar sejam monitoradas pelas equipes responsáveis pelo cuidado das crianças.
Uma ferramenta de acompanhamento foi apresentada durante uma formação com servidores das três áreas e será utilizada para organizar dados sobre alunos que apresentem sinais de dificuldade emocional, necessidades de atendimento em saúde ou situações de vulnerabilidade social.
O acompanhamento envolverá profissionais das escolas municipais, das Unidades Básicas de Saúde (UBS), dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e do Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi).
Segundo a administração municipal, a proposta surgiu a partir da percepção de aumento de casos de crianças enfrentando crises emocionais dentro das escolas. A estratégia é atuar antes que os problemas se agravem, garantindo atendimento mais rápido e acompanhamento contínuo.
Para a secretária municipal de Educação e Cultura, Estela Camata, a saúde mental das crianças precisa ser analisada além do ambiente escolar.
“A escola identifica muitas situações, mas é necessário compreender também o contexto familiar, social e de saúde dessa criança. O objetivo é unir os serviços para oferecer um acompanhamento completo”, afirmou.
Dados integrados devem agilizar atendimento
A Secretaria Municipal de Saúde Pública explica que já realizava acompanhamento de crianças em situações de crise ou com histórico de sofrimento psíquico. Com a integração das informações entre as áreas, o município pretende ampliar a capacidade de prevenção e resposta.
A secretária de Saúde Pública, Talita Bengozi, destaca que o novo modelo permitirá acompanhar, por exemplo, se a criança está realizando consultas, seguindo tratamentos indicados ou recebendo o suporte necessário.
“Quando uma criança apresenta sinais na escola, todos os serviços envolvidos conseguem acompanhar a situação e agir de forma mais rápida. A proposta é prevenir que ela chegue a uma crise mais grave”, explicou.
Famílias também serão acompanhadas pela assistência social
A nova política também amplia o olhar sobre o ambiente familiar. A Secretaria de Assistência Social e Cidadania terá participação no acompanhamento das famílias, avaliando situações que possam influenciar a saúde emocional das crianças.
De acordo com a secretária Flávia Iwakura, dificuldades sociais, conflitos familiares e situações de violência podem estar relacionadas ao sofrimento apresentado pelos alunos.
O trabalho será realizado inicialmente pelos CRAS, responsáveis pelo acompanhamento das famílias nos territórios, e poderá envolver o CREAS quando forem identificadas situações de violação de direitos que necessitem de atendimento especializado.
Município ampliou suporte para estudantes
A política de monitoramento faz parte de uma série de medidas adotadas por Cambé para fortalecer o atendimento aos alunos da rede municipal.
Segundo a Prefeitura, desde 2021 o número de professores de apoio passou de 40 para aproximadamente 300 profissionais, destinados ao acompanhamento de crianças com necessidades específicas.
Em março deste ano, o município também implantou um protocolo de atendimento para alunos em situação de crise de saúde mental dentro das escolas. O documento estabelece orientações para que os profissionais da educação saibam como agir diante dos primeiros sinais e quais encaminhamentos devem ser realizados.
Com a nova integração entre Educação, Saúde e Assistência Social, Cambé busca consolidar uma rede de proteção para crianças e adolescentes, com ações voltadas à prevenção, acolhimento e acompanhamento contínuo das famílias.
Com informação do NCPMC