Londrina começou a preparação para ampliar o uso do Método Wolbachia, tecnologia considerada uma das principais estratégias de combate à dengue, zika e chikungunya. A nova fase da iniciativa atenderá 44 áreas do município, beneficiando aproximadamente 151 mil moradores, com a liberação dos mosquitos prevista para começar em agosto.
Antes do início da soltura, equipes da Vigilância em Saúde estão realizando uma mobilização nas regiões que receberão o método. Agentes visitam escolas, unidades básicas de saúde e outros espaços públicos para explicar como funciona a tecnologia, esclarecer dúvidas da população e reforçar que a participação dos moradores é importante para o sucesso da iniciativa.
O programa é desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, e faz parte da estratégia nacional de enfrentamento às arboviroses. Em Londrina, a primeira etapa foi realizada entre 2024 e 2025, alcançando 129 áreas e cerca de 309 mil habitantes.
Como funciona o Método Wolbachia
A tecnologia utiliza mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria Wolbachia, presente naturalmente em diversos insetos e sem riscos para seres humanos ou animais.
Quando esses mosquitos se reproduzem com a população local, transmitem a bactéria às gerações seguintes. Com isso, os vírus da dengue, da zika e da chikungunya deixam de conseguir se desenvolver no organismo do mosquito, reduzindo significativamente a transmissão dessas doenças.
O método não utiliza produtos químicos, não envolve modificação genética dos insetos e complementa as ações tradicionais de controle do mosquito.
Trabalho começa antes da soltura
Nesta fase preparatória, a Prefeitura aposta na informação como ferramenta para aumentar a adesão da população. Além da distribuição de materiais informativos, os agentes orientam moradores sobre o funcionamento da tecnologia e reforçam que o Método Wolbachia não elimina a necessidade de combater os criadouros do mosquito.
A recomendação continua sendo a eliminação de recipientes que acumulam água, limpeza de quintais e manutenção de caixas-d'água devidamente fechadas.
Benefícios esperados
A expectativa é que a ampliação do Método Wolbachia contribua para reduzir a circulação dos vírus e, consequentemente, diminuir o número de casos de dengue, zika e chikungunya em Londrina.
Além de proteger a população, a redução das infecções tende a aliviar a pressão sobre a rede municipal de saúde, especialmente durante os meses mais quentes do ano, quando cresce a procura por consultas, hidratação e atendimentos relacionados à dengue.
Experiências em outras cidades brasileiras reforçam os resultados da estratégia. Em Niterói (RJ), por exemplo, a implantação do método contribuiu para uma redução de até 70% nos casos de dengue.
Em Londrina, os indicadores também apontam resultados positivos. No primeiro quadrimestre de 2026, período de maior incidência da doença, o município registrou queda de 74% nas notificações de dengue em comparação com o mesmo período de 2025.
Próximos passos
Após a conclusão da mobilização e das ações de conscientização, a liberação dos mosquitos ocorrerá semanalmente nas áreas contempladas, sob acompanhamento de equipes técnicas especializadas.
A expectativa é que, ao longo dos próximos meses, a bactéria Wolbachia se estabeleça de forma permanente entre a população de Aedes aegypti da cidade, ampliando a proteção contra as arboviroses e fortalecendo as ações de prevenção desenvolvidas no município.
Com informação do NCPML