Os hemocentros do Paraná enfrentam um desafio recorrente com a chegada do inverno: a redução significativa nos estoques de sangue. Segundo especialistas da área, a queda pode ultrapassar 30% durante os meses mais frios do ano, justamente em um período em que aumenta a necessidade de transfusões nos hospitais.
As baixas temperaturas costumam afastar parte dos doadores, diminuindo a reposição das bolsas de sangue. Ao mesmo tempo, a demanda cresce por causa do aumento do fluxo de veículos nas rodovias durante as férias escolares, da realização de cirurgias eletivas e do atendimento contínuo a pacientes que dependem de transfusões regulares.
O cenário preocupa os serviços de hemoterapia, que reforçam a importância da doação voluntária para manter os estoques em níveis seguros e garantir o atendimento de emergências, tratamentos oncológicos e procedimentos de alta complexidade.
De acordo com a biomédica e presidente do Conselho Regional de Biomedicina do Paraná (CRBM6), Daiane Pereira Camacho, a combinação entre a redução das doações e o aumento da demanda torna cada bolsa coletada ainda mais importante nesta época do ano.
“Menos pessoas procuram os hemocentros por causa do frio, enquanto cresce a necessidade de sangue para atender pacientes vítimas de acidentes, pessoas submetidas a cirurgias e aqueles que dependem de transfusões frequentes. Cada doação faz diferença”, destaca.
Quem pode doar sangue
Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos, com peso superior a 50 quilos e em boas condições de saúde. Menores de idade precisam de autorização dos responsáveis.
A recomendação é não estar em jejum no momento da doação e evitar alimentos gordurosos nas três horas anteriores ao procedimento.
Pessoas com sintomas de gripe, febre, resfriado, diarreia recente, além de gestantes e lactantes, ficam temporariamente impedidas de doar.
Procedimento é seguro e pode salvar até quatro vidas
A coleta é realizada com materiais esterilizados e descartáveis, sem risco de transmissão de doenças ao doador. O volume retirado é de aproximadamente 450 mililitros, quantidade considerada segura para o organismo.
O corpo humano recompõe o volume de sangue doado em poucos dias e uma única doação pode beneficiar até quatro pacientes.
Todo o processo, incluindo cadastro, triagem clínica, coleta e lanche pós-doação, leva cerca de 40 minutos.
Paraná possui rede estadual de hemocentros
A Hemorrede Pública do Paraná conta com unidades espalhadas por diversas regiões do Estado. Entre elas estão os hemocentros regionais de Londrina, Maringá, Cascavel e Guarapuava, além de hemonúcleos e unidades de coleta que atendem dezenas de municípios.
Os serviços orientam que os interessados procurem o hemocentro ou banco de sangue mais próximo e mantenham a doação de forma regular, contribuindo para a estabilidade dos estoques ao longo do ano.
Trabalho técnico garante segurança das transfusões
Após a coleta, o sangue passa por uma série de exames e análises antes de ser disponibilizado para uso hospitalar. Biomédicos e outros profissionais especializados atuam em testes sorológicos, exames imuno-hematológicos e procedimentos de controle de qualidade que garantem a segurança das transfusões.
Embora o gesto de doar seja fundamental, especialistas ressaltam que existe uma complexa estrutura técnica por trás de cada bolsa de sangue utilizada nos hospitais.
Com a proximidade do Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, os hemocentros reforçam o apelo para que a população participe das campanhas de doação e ajude a manter os estoques em níveis adequados.
A doação de sangue continua sendo a única forma de garantir o abastecimento dos bancos de sangue, já que não existe substituto artificial capaz de reproduzir todas as funções do sangue humano. Uma atitude simples, que leva menos de uma hora, pode representar a diferença entre a vida e a morte para quem aguarda atendimento médico.